A economia dos Estados Unidos cortou 92 mil empregos em fevereiro, segundo o payroll divulgado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos nesta sexta-feira (6). Dirigentes do Federal Reserve (Fed) consideraram o resultado como negativo.
O relatório também contrariou as expectativas do mercado, que variavam entre o fechamento de 9 mil postos de trabalho até a criação de 90 mil empregos. A mediana dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast era de 55 mil novas vagas.
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o relatório representa “uma grande decepção”. Já a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, disse que os números exigem cautela e que dados de apenas um mês não são suficientes para alterar completamente as perspectivas da economia.
O relatório é a principal referência usada pelo banco central norte-americano para medir a situação do mercado de trabalho americano e costuma influenciar as decisões de política monetária do banco central.
A taxa de desemprego subiu para 4,4% em fevereiro, ante 4,3% em janeiro. O mercado esperava estabilidade no período.
O salário médio por hora avançou 0,4% no mês, para US$ 37,32, acima da projeção de 0,3%. Na comparação anual, os salários cresceram 3,84%, também acima da estimativa de 3,7%.
O relatório ainda trouxe revisões negativas dos meses anteriores. O dado de janeiro foi revisado de criação de 130 mil vagas para 126 mil. Já o resultado de dezembro passou de geração de 48 mil empregos para corte de 17 mil postos.
Após a divulgação do payroll, o mercado voltou a aumentar as apostas de retomada do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve.
Segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, a probabilidade de início da flexibilização monetária em julho voltou a superar 50%. Antes da divulgação do relatório, as apostas estavam divididas entre manutenção da taxa e início do ciclo de cortes.
Para a reunião de março do Comite Federal de Mercado Aberto (FOMC), a expectativa majoritária — superior a 95% — segue sendo de manutenção dos juros.
Na avaliação do ING, fatores temporários, como clima severo e greves, podem ter distorcido os dados recentes do mercado de trabalho.
O banco revisou sua projeção e passou a esperar que o Fed inicie o ciclo de cortes apenas no fim do ano, possivelmente nas reuniões de setembro e dezembro.
Já a consultoria Capital Economics afirma que os dados do payroll indicam fragilidade no mercado de trabalho, mas pondera que a inflação ainda pode impedir cortes de juros no curto prazo.
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