Em 2025 o Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) voltou a ocupar o topo do ranking das empresas da B3 (Bolsa de Valores brasileira) que mais distribuíram dividendos aos acionistas. A retomada da coroa veio com o desembolso de cerca de R$ 48,9 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), segundo levantamento da Elos Ayta.
O montante superou os cerca de R$ 45,4 bilhões pagos pela Petrobras durante o ano passado e marca uma mudança no ranking de distribuição de caixa da Bolsa brasileira.
O movimento encerra um ciclo de três anos consecutivos de liderança da Petrobras (PETR3;PETR4), entre 2022 e 2024, e recoloca uma instituição financeira no topo entre as companhias que mais transferem recursos diretamente aos investidores.
A Elos Ayta destaca no retorno do Itaú à liderança em 2025 a capacidade de os grandes bancos manterem níveis elevados de distribuição mesmo em ambientes de maior volatilidade.
“Empresas de commodities, como Petrobras e Vale, tendem a dominar o ranking quando os preços internacionais estão elevados e a geração de caixa dispara. Já instituições financeiras, como o Itaú, aparecem com maior frequência em períodos de maior estabilidade econômica, quando lucros recorrentes e previsíveis ganham peso”, destaca a consultoria.
Entre 2022 e 2024, a Petrobras ocupou o topo do ranking com ampla vantagem em relação às demais companhias listadas na Bolsa.
Nesse período, o desempenho esteve ligado a um cenário de preços do petróleo elevados no mercado internacional, além de uma política de remuneração aos acionistas que priorizou a distribuição de caixa.
O auge desse movimento ocorreu em 2022, quando a empresa desembolsou R$ 194,6 bilhões em dividendos e JCP, que à época foi o maior valor já registrado por uma companhia no mercado de capitais brasileiro.
Mesmo após esse pico, os pagamentos continuaram em níveis elevados. Em 2023, a estatal distribuiu R$ 98,2 bilhões aos acionistas. Já em 2024, o total chegou a R$ 100,7 bilhões, mantendo a companhia na liderança da B3 em termos de remuneração.
O levantamento também destaca um período em que a Petrobras praticamente desapareceu entre as principais pagadoras de dividendos da B3.
Entre 2015 e 2019, a companhia deixou de figurar entre as líderes em distribuição de lucros aos acionistas. Esse intervalo coincidiu com uma fase considerada uma das mais delicadas da história da empresa.
O período foi marcado pelos efeitos da Operação Lava Jato, por um nível elevado de endividamento acumulado nos anos anteriores e pelo ambiente político-econômico que marcava o final do governo Dilma Rousseff.
Diante desses desafios, a estratégia da companhia passou a priorizar a preservação de caixa e a reorganização financeira.
Após um ciclo de investimentos intensivos, principalmente no desenvolvimento do pré-sal, e de uma política de controle de preços de combustíveis que pressionou a rentabilidade, a Petrobras chegou a ser considerada a petroleira mais endividada do mundo.
Diante desse cenário, o pagamento de dividendos deixou de ser prioridade. Foi em 2015 que esses repasses aos acionistas praticamente desapareceram.
Nos anos seguintes, entre 2016 e 2018, os valores permaneceram reduzidos enquanto a empresa concentrava esforços na redução da dívida, na venda de ativos e na reestruturação financeira.
Mesmo quando os pagamentos começaram a voltar gradualmente, em 2018 e 2019, os montantes ainda estavam muito abaixo do que seria registrado anos depois.
Esse período também ajuda a explicar por que, entre 2015 e 2017, a liderança em distribuição de dividendos da bolsa brasileira ficou com empresas com geração de caixa mais previsível, como Ambev e o próprio Itaú Unibanco.
Em um cenário mais amplo durante 16 anos, entre 2010 e 2025, a Elos Ayta destaca outro nome como destaque entre as melhores pagadoras de dividendos da B3: a Vale.
A mineradora foi a empresa que por mais vezes ocupou a primeira posição em distribuição anual de dividendos na Bolsa, acumulando cinco lideranças.
Esses episódios ocorreram em dois ciclos distintos do mercado de commodities:
O estudo destaca ainda que a Ambev liderou o ranking entre 2014 e 2016, período marcado por forte geração de caixa e uma estrutura de endividamento considerada conservadora.
Já o Itaú Unibanco liderou em 2017, 2018, 2019 e voltou ao topo em 2025, refletindo a capacidade recorrente de geração de lucros do setor bancário.
Considerando todo o histórico, o ranking de liderança anual na distribuição de dividendos na B3 fica da seguinte forma:
Por fim, a consultoria destaca que a evolução dos pagamentos de dividendos ao longo do tempo também ajuda a explicar os ciclos da Bolsa brasileira.
Companhias do setor de commodities, como a Petrobras e a Vale, costumam liderar a distribuição de dividendos em momentos de alta nos preços internacionais dessas matérias-primas, quando a geração de caixa das empresas aumenta.
Já instituições financeiras, como o Itaú Unibanco, tendem a ganhar protagonismo em fases de maior estabilidade econômica, nas quais resultados recorrentes e mais previsíveis passam a ter maior peso na remuneração aos acionistas.
* O levantamento utiliza como base os dividendos efetivamente pagos ao longo do ano. Isso significa que são considerados apenas os valores que realmente saíram do caixa das empresas e chegaram aos acionistas dentro do mesmo ano calendário.
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