A semana começou com forte impacto nos mercados financeiros após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A reação inicial foi marcada pela alta do petróleo e pelo fortalecimento do dólar.
Logo na abertura dos mercados, o barril de petróleo do tipo Brent saltou de cerca de US$ 70 para próximo de US$ 80. A alta foi impulsionada pela expectativa de redução da produção iraniana e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima controlada pelo Irã por onde passa grande parte da produção do Golfo Pérsico. A região responde por aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo.
O avanço do dólar também chamou a atenção dos investidores após meses de enfraquecimento da moeda americana. Analistas apontam que, além do desempenho econômico dos EUA, episódios de tensão geopolítica costumam reforçar a procura por ativos de proteção.
No Brasil, a reação inicial foi mais moderada. A Bolsa brasileira começou a semana em leve alta, mesmo com a valorização do dólar e a subida das taxas de juros futuros. Em seguida, porém, o cenário mudou.
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“Há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem” – Lenin.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,8% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e reforça sinais de desaceleração da atividade econômica.
Outro dado recente aponta para aumento da taxa de desemprego, que subiu de 5,1% para 5,4% em janeiro. A combinação de atividade mais moderada e mercado de trabalho menos aquecido tem sido interpretada por parte do mercado como um fator que abre espaço para cortes na taxa básica de juros.
Após a divulgação do IPCA-15 (prévia da inflação oficial) da semana passada, que registrou alta de 0,84%, as projeções para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) mudaram.
Diante desse cenário, as apostas que antes apontavam para um corte de 0,50 ponto percentual na Selic passaram a indicar uma redução menor, de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom marcada para 18 de março.
Os Estados Unidos, em conjunto com Israel, realizaram ataques contra o Irã com o objetivo de derrubar o regime teocrático que governa o país desde 1979.
A operação militar resultou na destruição de parte das forças marítima e aérea iranianas e na morte do líder supremo do país, além de outras figuras centrais do regime. Apesar disso, analistas avaliam que uma mudança de regime dependeria da existência de uma oposição organizada capaz de assumir o poder, o que ainda não está claro no país.
A ofensiva militar provocou instabilidade na produção e no transporte de petróleo. A situação se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Além disso, o fechamento do espaço aéreo em parte da região, incluindo os Emirados Árabes Unidos — onde fica Dubai, um dos maiores hubs de transporte aéreo do mundo — começou a afetar o turismo e a atividade econômica local.
Analistas avaliam que o governo americano teria cerca de uma semana para restabelecer a segurança na região e permitir novamente a navegação no Estreito de Ormuz. Caso contrário, a pressão sobre os preços do petróleo pode aumentar.
Outro fator que pressionou os mercados foi o relatório de emprego dos EUA. O payroll de fevereiro indicou a eliminação de 92 mil postos de trabalho na economia americana, enquanto o mercado esperava a criação de 58 mil vagas. A taxa de desemprego subiu de 4,3% para 4,4%.
Diferentemente de outros momentos, os dados fracos não aumentaram as apostas em cortes de juros. Investidores avaliam que o risco inflacionário elevado limita a possibilidade de flexibilização monetária no curto prazo.
A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para o período atual, o menor objetivo oficial desde 1991. A decisão ocorre em meio a três fatores principais: consumo interno fraco, crise prolongada no setor imobiliário e aumento das tensões comerciais com os EUA.
O governo chinês busca alterar a estrutura da economia, reduzindo a dependência da manufatura e das exportações e ampliando o peso do consumo doméstico. Essa mudança pode ter impacto na economia global, já que a China responde por cerca de um terço da expansão econômica mundial.
Outro ponto de atenção é a dependência chinesa do petróleo do Golfo Pérsico. Grande parte do abastecimento energético utilizado pela indústria pesada do país vem da região. Assim, a interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz pode afetar diretamente a atividade industrial chinesa.
Um indicador amplamente acompanhado por analistas compara o desempenho do índice MSCI World — que reúne bolsas de grandes economias fora dos Estados Unidos — com o S&P 500, que representa as 500 maiores empresas americanas.
Desde 2009, o S&P 500 cresceu em ritmo superior ao das bolsas internacionais, fazendo com que essa relação apresentasse tendência de queda. Isso indica que, nos últimos anos, o retorno das ações americanas superou o das empresas de outros países.
Em 2026, porém, essa tendência começou a apresentar sinais de mudança, impulsionada pela valorização observada em bolsas de países emergentes. Ainda não há consenso sobre a continuidade desse movimento.
A ofensiva militar no Oriente Médio alterou o comportamento dos mercados nesta semana. O barril do petróleo Brent registrou alta de 24,4% apenas no período e acumula valorização próxima de 50% no ano.
A alta da commodity aumentou preocupações com inflação e provocou abertura das curvas de juros em vários países. Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu 17 pontos-base e voltou a ser negociado acima de 4%, em torno de 4,12%.
No mercado brasileiro, a volatilidade também aumentou. A Bolsa brasileira registra queda de cerca de 5% na semana. O dólar sobe 2,7%, cotado a R$ 5,27.
No mercado de juros, o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2028 avançou 61 pontos-base, para 13,22%.
Já os títulos públicos indexados à inflação, conhecidos como NTN-B, também passaram a pagar taxas maiores. O papel com vencimento em 2040, que negociava a IPCA + 6,96% na semana passada, passou a oferecer IPCA + 7,22%.
A alta do petróleo também colocou em dúvida projeções de mercado que apontavam para uma taxa Selic de 12,25% ao final do ano.
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