Um vídeo divulgado no domingo (8.mar.2026) pela agência iraniana Mehr reforça indícios de que um míssil dos Estados Unidos atingiu uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã. O ataque teria deixado 175 mortos, muitos deles crianças, segundo autoridades locais e veículos de imprensa iranianos.
As imagens foram verificadas pelo jornal The New York Times, que comparou o material com registros de satélite, vídeos publicados nas redes sociais e outros elementos visuais captados após os bombardeios. A gravação mostra um míssil de cruzeiro Tomahawk atingindo uma base naval próxima à escola Shajarah Tayyebeh em 28 de fevereiro.
Assista ao momento(8s):
De acordo com a análise do jornal norte-americano, o momento do impacto coincide com o período em que a escola foi atingida.
O edifício escolar aparece severamente danificado em imagens de satélite obtidas dias depois. A base militar atingida no mesmo ataque é operada pela Guarda Revolucionária Islâmica.
O míssil identificado no vídeo é do tipo Tomahawk, armamento de longo alcance utilizado pela Marinha dos Estados Unidos. Nem Israel nem o Irã operam esse tipo de equipamento. Especialistas em armamentos, entre eles Trevor Ball, pesquisador ligado ao coletivo de investigação Bellingcat, e Chris Cobb-Smith, diretor da empresa de segurança Chiron Resources, também disseram reconhecer o projétil como um Tomahawk.
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, esses mísseis podem percorrer cerca de 1.600 km e são programados com rotas específicas antes do lançamento. O modelo mais usado transporta ogivas com potência equivalente a cerca de 136 kg de TNT.
O vídeo analisado mostra o projétil atingindo um edifício descrito como clínica médica dentro da base militar. Após a explosão, colunas de fumaça e destroços são lançados no ar, enquanto gritos podem ser ouvidos ao fundo. Quando a câmera se move para a direita, já há grandes nuvens de poeira e fumaça na área da escola, o que indica que o prédio escolar foi atingido pouco antes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), negou que forças do país tenham bombardeado a escola: “Não. Na minha opinião e pelo que vi, isso foi feito pelo Irã. Eles são muito imprecisos com suas munições”.
Ao lado dele, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o Pentágono investiga o caso, mas declarou que “o único lado que mira civis é o Irã”.
Apesar das declarações, militares dos EUA já reconheceram que forças norte-americanas realizavam ataques no sul do país naquele período. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou em entrevista a jornalistas que navios da Marinha dos EUA, incluindo o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, conduziam operações ao longo do litoral iraniano nas primeiras horas da guerra.
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, lamentou a morte de crianças em ataques contra escolas e pediu o fim imediato das hostilidades.
No Irã, jornais estamparam fotos das vítimas nas capas e cobraram responsabilidade do governo norte-americano. Um dos periódicos publicou mensagem dirigida ao presidente dos EUA: “Trump, olhe-nos nos olhos”.
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