O Bitcoin voltou a mirar os US$ 70.000 em um momento em que os mercados globais operam sob forte pressão e intensa busca por proteção. A maior criptomoeda avançou após quatro sessões de queda, movimento que refletiu o impacto direto da alta do petróleo, das tensões no Oriente Médio e da força do dólar.
O BTC está negociado em US$ 69.120, após cair para a região dos US$ 65.000. Esse avanço ocorreu logo depois da falha na tentativa de romper a resistência dos US$ 74.000, que limitou o apetite dos investidores.
Fonte coinmarketcap
Segundo analistas, a recente instabilidade mostra que o mercado enfrenta mudanças rápidas nos fluxos de capital e um aumento claro da aversão ao risco global.
Linh Tran, da XS.com, afirmou que o Bitcoin “perdeu impulso após testar a resistência”, destacando o peso do cenário macroeconômico atual.
O ambiente ficou ainda mais tenso após o petróleo ultrapassar brevemente US$ 100 por barril, devido ao temor de cortes no fornecimento. Horas depois, os preços recuaram quando surgiram sinais de que o G7 poderia liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas.
A reversão brusca ampliou a volatilidade e derrubou as bolsas globais. Ao mesmo tempo, o dólar ganhou força com o aumento dos rendimentos e a busca imediata por segurança.
A QCP Capital observou que a moeda americana voltou a atuar como o principal ativo defensivo. Mesmo assim, o Bitcoin mostrou resiliência e recuperou cerca de 2% no dia, adicionando mais de US$ 80 bilhões ao seu valor de mercado.
Analistas da QCP afirmaram que os investidores estão ajustando posições para enfrentar volatilidade contínua, não necessariamente um novo movimento de queda.
O início de março trouxe entradas fortes nos ETFs de Bitcoin, que receberam mais de US$ 1,145 bilhão em poucos dias. Mas a pressão voltou quando ocorreram saídas de US$ 348,8 milhões em 6 de março.
Apesar disso, dados semanais mostram retomada do interesse institucional. Produtos ligados ao Bitcoin registraram novas entradas e encerraram uma sequência de semanas negativas.
Pesquisas da BRN indicam que o mercado vive fase de transição, e não uma queda estrutural. O chefe de pesquisa Timothy Misir afirmou que os fluxos “começam a se estabilizar”, mesmo com o cenário macro mais turbulento.
A atividade on-chain reforça esse movimento. Mais de 32.000 BTC deixaram as exchanges, indicando migração para armazenamento de longo prazo e menor intenção de venda imediata.
Ainda assim, analistas destacam que o ambiente global segue decisivo. A alta da energia pode reaquecer a inflação justamente quando os dados dos EUA mostram risco de desaceleração econômica.
Para alguns especialistas, manter o suporte acima de US$ 60.000 pode abrir espaço para recuperação no médio prazo. A perda desse nível, porém, pode levar o preço a buscar zona mais próxima dos US$ 50.000.
Por enquanto, o mercado opera com pouca liquidez e sentimento cauteloso. Os sinais de acumulação, no entanto, mostram que o próximo grande movimento do Bitcoin dependerá diretamente das condições macroeconômicas nas próximas semanas.
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