Menos de um mês após o Agibank estrear suas ações na Bolsa de Nova York, o BTG Pactual iniciou a cobertura dos papéis AGBK, com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 17 para 2026, uma potencial valorização de 62% em relação ao fechamento da última sexta-feira (6).
Segundo relatório assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, o banco se destaca por um modelo híbrido de atendimento, que combina presença física e canais digitais.
Para os analistas, essa estratégia cria uma vantagem competitiva no atendimento a aposentados e pensionistas em comparação com bancos tradicionais e instituições totalmente digitais.
Fundado em 1999 por Marciano Testa, o Agibank ampliou sua participação no crédito consignado ligado ao Instituto Nacional do Seguro Social.
De acordo com o BTG, a instituição conta com mais de mil “smart hubs”, estrutura que permitiu elevar sua fatia nesse mercado de 2,3% em 2021 para cerca de 9% em 2025.
O banco possui 6,4 milhões de clientes ativos, dos quais 3,3 milhões recebem benefícios do INSS. Entre esse público, de 65% a 70% possuem empréstimos consignados.
A carteira total de crédito soma aproximadamente R$ 35 bilhões, sendo 87% composta por produtos com garantia.
Apesar da predominância do consignado, o relatório destaca que a rentabilidade da operação é impulsionada principalmente pela venda cruzada de produtos financeiros.
O crédito sem garantia representa apenas 13% da carteira, mas responde por cerca de 60% do resultado operacional do banco. Esse tipo de empréstimo é oferecido a cerca de 1,4 milhão de beneficiários que recebem seus pagamentos diretamente pelo Agibank.
Segundo o BTG, a combinação entre distribuição eficiente e forte capacidade de cross-sell ajuda a sustentar o retorno sobre patrimônio (ROE) elevado da instituição.
O relatório também aponta que fatores regulatórios e culturais ajudam a reforçar a posição competitiva do banco.
Regras atuais exigem presença física para participação em leilões de benefícios e para gestão de portabilidade, o que limita bancos totalmente digitais, como o Nubank.
Além disso, os analistas afirmam que a experiência de contratação de crédito consignado totalmente digital ainda não é ideal para parte do público mais velho e menos familiarizado com tecnologia.
O principal risco apontado pelo BTG é regulatório, devido à forte exposição do banco ao INSS, um ambiente frequentemente sujeito a mudanças de regras e investigações.
Segundo o relatório, episódios recentes levaram à suspensão temporária da originação de consignado e de novos pagamentos, após questionamentos sobre práticas de atendimento.
O banco lembra que o Agibank assinou um termo de ajuste para aprimorar os processos e que as suspensões foram posteriormente retiradas, mas o impacto deve afetar os resultados no curto prazo.
Ainda assim, o BTG projeta lucro líquido de R$ 1,25 bilhão em 2026, alta de 19% em relação ao ano anterior, com retorno sobre patrimônio de 28,1%. Para 2027, a estimativa é de lucro de R$ 1,75 bilhão, avanço de 40%, com ROE de 27,3%.
Pelas projeções do banco, o Agibank negocia a cerca de sete vezes o lucro estimado para 2026 e cinco vezes o de 2027 — níveis considerados atrativos pelos analistas.
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