Os chips de memória são componentes essenciais de qualquer computador. Mas a escalada épica do investimento em data centers estressou a apertada cadeia de suprimento desses semicondutores – provocando uma alta nos custos que vem sendo transferida para o preço final de smartphones e notebooks.
A crise atual é bem diferente da ocorrida durante a pandemia, quando o problema era de logística. Agora o que existe é uma falta de capacidade da indústria para atender a demanda.
Há três grandes produtoras mundiais de chips de memória – as sul-coreanas Samsung e SK Hynix e a americana Micron Technology – e todas estão redirecionando boa parte de sua produção para suprir os fabricantes de data centers de AI.
Como resultado, suas ações estão voando.
A Micron, que já vale US$ 406 bilhões, está próxima de sua máxima histórica, acumulando uma alta de quase 290% nos últimos 12 meses. Nesse mesmo período, a ação da SK Hynix sobe mais de 330% em Seul, e a alta da Samsung – uma companhia bem mais diversificada – passa de 220%.
Mas a maior disparada – de longe – foi na ação da Sandisk, que se especializou em um tipo de chip de memória e vem aos poucos roubando mercado do trio de líderes. Sua ação já subiu 148% apenas este ano – e acumula uma valorização de mais de 1.000% em doze meses. O market cap agora é de US$ 87 bi.
Os fabricantes de semicondutores já anunciaram planos de expansão de capacidade, mas no curto prazo o mercado permanecerá no limite.
Segundo o Financial Times, os chips de memória tradicionalmente representam 10% do custo de um smartphone. Mas depois da alta nos preços dos chips, o peso no custo final já fica entre 20% e 30%.
O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, disse à CNBC que a restrição na disponibilidade de semicondutores está “limitando bastante a implementação” de novos recursos.
“É preciso muitos chips para poder experimentar novas ideias em uma escala grande o suficiente para realmente verificar se elas vão funcionar,” disse ele.
Como mostrou a Bloomberg, uma GPU de última geração da Nvidia – o Rubin – ‘consome’ 288 GB em memória apenas para funcionar. Para efeito de comparação, um smartphone de ponta precisa de apenas 12 GB de memória RAM (random acess memory); um computador pessoal, 32 GB.
Os chips de memória armazenam dados e os enviam para uma unidade central de processamento (CPU) – o cérebro de qualquer dispositivo. Esses componentes estão em celulares, consoles de jogos, carros e em boa parte dos eletrônicos domésticos.
Há dois tipos básicos de memória nos computadores atuais.
O primeiro tipo é a NAND flash (NAND vem de ‘Not And’). Ela é usada para armazenamento de longo prazo, mesmo quando os dispositivos estão desligados. Estão em pen drives e em drives de estado sólido (SSDs).
É aí que a Sandisk vem conquistando mercado. A ação se beneficiou também do spinoff concluído há um ano, quando a companhia foi separada da Western Digital, que por sua vez passou a se concentrar na produção de HDD (hard-disk drives).
O outro tipo de memória é a DRAM (dynamic random-access memory). Ela armazena temporariamente os dados que a CPU está usando.
Com o avanço da inteligência artificial, a indústria desenvolveu uma forma de utilizar os chips DRAM chamada de high-bandwidth memory (HBM). Ela consiste em empilhar vários chips verticalmente e posicioná-los próximos ao processador, aumentando drasticamente as velocidades de transferência de dados.
Com diversas empresas relatando dificuldades em obter os chips de memória – inclusive Big Techs como Google e Tesla – o Governo americano está tentando aliviar o estresse. Recentemente, retirou da lista de fornecedores banidos as chinesas CXMT e YMTC.
Resta ver se Beijing permitirá que suas companhias vendam seus preciosos chips aos competidores americanos.
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