O deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) disse que “não adianta” promover uma mudança no regime de trabalho que “atinja o nível de emprego”. O congressista é relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6 x 1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados.
“É inegável que permitir ao trabalhador mais tempo com a família e lazer melhora sua qualidade de vida. O desafio é fazer isso sem admitir a redução salarial e, ao mesmo tempo, protegendo os setores que serão mais impactados”, declarou em entrevista ao jornal Correio Braziliense publicada nesta 3ª feira (10.mar.2026).
“Não adianta promover uma ação que traga benefícios, mas que atinja o nível de emprego, pois não há trabalhador sem emprego. Melhorar a qualidade de vida é fundamental, assim como proteger os empregos no país”, disse Azi.
De acordo com o deputado, os setores mais afetados “serão aqueles que possuem a mão de obra como um insumo decisivo na composição de seus custos de produção”. Ele mencionou microempresas, comércio varejista e os setores de bares, restaurantes, eventos e serviços.
“Toda atividade que tenha um peso grande da mão de obra em seus custos sentirá um impacto maior”, afirmou.
Azi afirmou ter “noção de que este é um tema de grande repercussão nacional, pois envolve a vida de milhões de trabalhadores e tem reflexos diretos no nível de emprego e no setor produtivo”.
Segundo ele, o fato de 2026 ser um ano eleitoral “impulsiona a discussão”. Ele falou em buscar “responder à sociedade com uma proposta” que consiga ser votada e aprovada.
“Contudo, temos ciência dos riscos de que isso se transforme unicamente em uma pauta política eleitoral usada de forma demagógica. O desafio é construir uma discussão responsável, mesmo em um período eleitoral”, disse.
O deputado declarou que a CCJ analisará a proposta inicial, que pode ser modificada.
“A discussão se inicia sobre o que foi proposto: a redução da jornada de 44 para 36 horas e a mudança da escala de 6 X 1 para 4 X 3. Embora a discussão parta dessa base, nada impede que ocorram alterações na proposta inicial. No entanto, ainda não é possível definir qual será o modelo final que será construído e aprovado pela comissão e, futuramente, pelo plenário da Casa”, disse.
Azi afirmou que discussão sobre possíveis impactos econômicos do fim da escala 6 X 1 “surgirá fatalmente à medida que as audiências públicas ocorrerem e as diversas preocupações chegarem oficialmente” à comissão.
“Nossa ideia, considerando que a matéria tramite e seja aprovada na CCJ, é indicar caminhos para que o debate seja aprofundado na comissão de mérito, permitindo uma noção perfeita das repercussões e das ações necessárias para mitigar seus efeitos”, declarou.
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