O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), seguiu a recuperação do mercado global e encerrou o pregão desta segunda-feira (9) em alta de 0,86%, aos 180.915,36 pontos, em meio a uma sessão marcada por forte volatilidade.
O ponto de virada veio no fim do dia, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à rede CBS que a guerra contra o Irã estaria próxima do fim. A declaração reduziu a aversão ao risco e contribuiu para a reversão do sinal negativo que predominou durante boa parte da sessão.
Ao longo do dia, os preços do petróleo também começaram a se afastar das máximas recentes. A commodity perdeu força após notícias de que países do G7 discutem liberar parte de suas reservas estratégicas para compensar possíveis interrupções na oferta global. Relatos de que a Arábia Saudita estaria ampliando a oferta de petróleo no mercado à vista também ajudaram a aliviar a pressão sobre os preços da commodity.
Entre os destaques do dia, as ações da Petrobras foram beneficiadas pela alta do petróleo ao longo da sessão e chegaram a liderar os ganhos entre as empresas de maior peso do índice. No fechamento, os papéis avançaram 2,12% (ON) e 2,49% (PN), enquanto a Vale subiu 0,51% e no setor financeiro, o Itaú fechou em alta de 0,54%.
Entre as maiores valorizações do pregão ficaram Azzas (+5,38%) e Eneva (+4,98%). Do lado negativo, a MRV liderou as perdas, com queda de 7,85%.
Mesmo com a recuperação no fechamento, o Ibovespa ainda acumula queda de 4,17% em março. No acumulado de 2026, porém, o índice mantém valorização de 12,28%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 1,52% frente ao real, cotado a R$ 5,16, impactado pela fala de Trump sobre a possibilidade da finalização dos conflitos no Irã.
No cenário internacional, o mercado reage com otimismo às declarações de Donald Trump de que a ofensiva militar está avançando mais rápido que o previsto e que o conflito pode terminar “em breve”. A sinalização veio após o fechamento do pregão regular, mas teve impacto imediato nas negociações eletrônicas: o petróleo chegou a despencar cerca de 10%, indicando a possibilidade de abertura em forte queda na sessão desta terça-feira (10), quando retornou ao patamar abaixo de US$100 por barril.
Segundo Trump, as forças americanas já teriam reduzido drasticamente a capacidade militar do regime iraniano, antecipando o cronograma inicial de quatro a cinco semanas para encerrar a operação.
Apesar do tom otimista de Washington, Teerã reagiu com firmeza. Autoridades iranianas afirmaram que o fim da guerra não será determinado pelos Estados Unidos, mas pelo próprio governo do Irã. A troca de ameaças entre os dois lados reduziu parcialmente a queda do petróleo durante a madrugada, quando a commodity ainda recuava cerca de 5%.
A tensão voltou a escalar após a Guarda Revolucionária iraniana declarar que poderá bloquear exportações de petróleo enquanto o país permanecer sob ataque. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a corporação afirmou que não permitirá o envio de “nem mesmo um litro de petróleo a parceiros hostis”.
A ameaça foi uma resposta direta a Trump, que havia publicado na rede Truth Social que os Estados Unidos reagiriam com “vinte vezes mais força” caso o Irã interrompa o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global da commodity. “Morte, fogo e fúria reinarão sobre eles”, escreveu o presidente norte-americano.
No Brasil, a volatilidade do petróleo adicionou novas camadas de incerteza ao cenário de política monetária. A forte alta da commodity ao longo da sessão anterior, quando os preços chegaram a superar US$ 100 por barril, levou o mercado a revisar rapidamente as apostas para a próxima reunião do Copom.
No auge da tensão, investidores passaram a dividir as projeções entre três cenários distintos: corte de 0,25 ponto percentual na Selic, redução de 0,5 ponto ou até mesmo a manutenção da taxa em 15%, diante do risco inflacionário provocado pela disparada da energia.
No campo político, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve antecipar sua saída do cargo em cerca de 15 dias para iniciar a preparação de sua campanha ao governo de São Paulo. O movimento ocorre em um momento delicado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostra o atual governador, Tarcísio de Freitas, na liderança isolada da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com 44% das intenções de voto, contra 31% de Haddad. Em simulações de segundo turno, Tarcísio venceria todos os adversários testados.
Com a saída de Haddad da Fazenda, o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, aparece como favorito para assumir o comando do ministério. A expectativa é que o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, passe a ocupar o posto de número dois da equipe econômica.
As Bolsas da Europa avançam com o otimismo, com destaque para ações do setor financeiro e para a Volkswagen, que projeta recuperação das margens após um 2025 difícil.
Na Ásia, a sessão também foi de recuperação diante da queda do petróleo, com os índices KOSPI e Nikkei 225 liderando os ganhos após fala de Donald Trump sobre possível fim do conflito com o Irã. Além disso, dados da China mostraram exportações e importações acima do esperado, sinalizando demanda interna mais forte.
Os índices Kospi, da Coreia do Sul, e o Nikkei, do Japão, lideraram os ganhos, em alta de 5,35% e 3%, respectivamente.
Em Nova York, os índices futuros retomam o ritmo de alta nesta terça-feira (10), enquanto o petróleo cai, após Donald Trump indicar que a guerra com o Irã pode estar próxima do fim, o que melhora o otimismo dos mercados após a queda dos ativos de risco no dia anterior.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, a agenda econômica desta terça-feira concentra a atenção dos investidores em dois indicadores importantes nos Estados Unidos: o relatório semanal de empregos do setor privado, divulgado pela ADP, e os dados de estoques de petróleo.
Em meio aos conflitos no Oriente Médio, o número sobre os estoques será acompanhado com atenção redobrada pelo mercado, após o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, ter afirmado ontem que o governo avalia vender parte do petróleo da Reserva Estratégica do país. A medida seria uma tentativa de conter a escalada recente dos preços da commodity, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A China surpreendeu positivamente ao divulgar um forte crescimento do comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% nos dois primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2025, bem acima do ritmo observado em dezembro, quando a alta havia sido de 6,6%. O resultado reforça sinais de recuperação da atividade no país e tende a sustentar a demanda global por commodities.
Já no Japão, a economia apresentou revisão expressiva do crescimento no quarto trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,3% em relação ao ano anterior, superando com folga a estimativa preliminar, que apontava expansão de apenas 0,2%.
No Brasil, a agenda doméstica traz a divulgação das prévias do IPC-Fipe e do IGP-M, indicadores importantes para calibrar as expectativas de inflação.
No front corporativo, Prio, Allos e Cury divulgam seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado.
No campo político, a CPI do INSS decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Flávio Dino que anulou a votação em bloco que aprovou 87 requerimentos de quebra de sigilo, incluindo medidas que envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Daniel Vorcaro.
Parlamentares avaliam que a decisão representa uma interferência nas prerrogativas do Congresso. Nos bastidores, fontes indicam que Vorcaro não deve depor nesta terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, devido às dificuldades logísticas de transferência a partir da Penitenciária Federal de Brasília.
Em meio ao aumento da tensão política, o senador Alessandro Vieira (MDB) protocolou um pedido de criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master.
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