O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta 3ª feira (10.mar.2026) que o Brasil não deve tomar “decisões açodadas” em relação à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. O petróleo Brent chegou a superar US$ 100 por barril na 2ª feira (9.mar) depois da escalada de ataques entre os Estados Unidos e o Irã.
“Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do tarifaço? No caso do tarifaço, houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira e que o Brasil finalmente ia se render ao império do norte, que ia ter que aceitar as exigências deles em relação ao Bolsonaro, e nada disso aconteceu”, disse Haddad.
Segundo o ministro da Fazenda, “o preço do petróleo está oscilando dia a dia” e o Brasil “não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer” a política econômica do país. E concluiu: “E nós temos que observar, verificar o andar das coisas, estabelecer cenários, como nós fizemos no caso do tarifaço, desenhar cenários, o cenário A, o cenário B, o cenário C, desenhar o pior cenário também”.
Ao comentar a taxa de juros, o ministro da Fazenda afirmou que o Banco Central é autônomo. O Copom (Comitê de Política Monetária) decide em 17 e 18 de março se vai iniciar o corte, como sinalizado na ata da última reunião. A Selic está em 15%, o maior patamar desde 2006.
“Nós temos uma doença [inflação], um remédio [taxa de juros], e o que o Banco Central faz é administrar a dose. Não faz outra coisa a não ser administrar a dose. Com base no quê? Nos dados, nas expectativas. O Banco Central é independente, porque ele tem uma metodologia de trabalho que vai seguir. Vamos ver o que vai acontecer. Eu não posso antecipar, porque eu não sei. Não voto no Copom”, afirmou.


