O Itaú Unibanco (ITUB4) acertou uma parceria de cinco anos com empresa de entretenimento ao vivo, 30e, para a realização de 800 shows, em um movimento que reforça a aposta do banco para usar os eventos de música para se conectar com clientes.
Desde dezembro de 2025, quando a parceria foi firmada, já foram anunciadas oito turnês com mais de 30 shows. O potencial de audiência supera 1 milhão de ingressos.
O repertório confirmado cobre gerações e gêneros distantes entre si: Rush, Titãs e Barão Vermelho no rock, Liniker e Emicida na música negra brasileira, Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão no samba, Xuxa e Arnaldo Antunes no pop.
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O anúncio da plataforma Itaú Live foi feito no Auditório do Masp (Museu de Arte de São Paulo), diante de jornalistas, analistas e executivos do setor financeiro e de entretenimento.
O evento foi aberto por Sergio Fajerman, Vice-Presidente de Pessoas, Marketing e Comunicação do Itaú Unibanco. Fajerman resumiu a tese do investimento: “A música sempre fez parte do Itaú. Chega um momento em que essa relação pede um próximo passo”.
O contexto favorece a aposta do maior banco nacional. O Brasil é hoje o segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo pesquisa da PwC com a Live Entertainment. O setor movimenta mais de R$ 300 bilhões ao ano, equivalente a 4,3% do PIB.
“O país deixou de ser uma rota complementar e passou a ocupar um papel estratégico nas turnês internacionais”, disse Pepeu Correa, CEO da 30e, no evento de apresentação.
A iniciativa coloca o Itaú ao lado de outras instituições financeiras que também apostam em shows e festivais para posicionar sua marca. O Bradesco (BBDC4), por exemplo, patrocina o festival Lollapalooza, o Santander (SANB11) opera plataforma própria de pré-venda de ingressos, o C6 Bank criou evento próprio, o C6 Fest.
Para o Itaú, a operação tem lógica de retenção de correntistas. Na base, haverá pré-venda exclusiva com descontos de até 30% e parcelamento sem juros para os correntistas. No topo, o pacote Super Fã dá acesso a meet & greet e passagem de som, e a Pista Premium Itaú Personnalité oferece entrada antecipada em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Curitiba.
A escala diferencia o modelo dos concorrentes. O Rock in Rio, patrocinado pelo Itaú há 25 anos, acontece a cada dois anos. O Itaú Live acontece toda semana.
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Para Rodrigo Montesano, superintendente de Experiências e Conexões do banco, a estrutura é um laboratório de produtos financeiros.
“Nesses 800 shows vamos incorporar produto, experiências, serviços financeiros que vão muito além de meios de pagamento”, afirmou.
A CMO Juliana Cury enquadra o movimento como evolução de uma trajetória que inclui o Itaú Cultural, fundado em 1987, e os 25 anos de Rock in Rio.
“A música é uma paixão multigeracional do brasileiro e, para o Itaú, um território essencial para criar intimidade e relacionamento”, disse.
Correa reforçou a visão pelo lado da produtora: “Quando o fã ganha, todo o sistema ganha. O público é beneficiado, o artista é beneficiado, o Itaú é beneficiado, a 30e é beneficiada”.
O que muda agora é a recorrência: presença semanal no calendário, em praças fora do eixo Rio-São Paulo, com 70 milhões de correntistas como público potencial.
O banco já sinalizou que novos anúncios estão previstos para os próximos dias, incluindo um show no Rio de Janeiro ainda não divulgado.
A demanda que o Itaú quer capturar foi construída ao longo dos últimos anos. O fim da pandemia liberou um volume reprimido de público disposto a pagar por experiências ao vivo, e a 30e foi criada exatamente para explorar esse momento.
Fundada em 2021 por Correa, executivo com trajetória no mercado financeiro pela Centuria Investimentos, a empresa teve acesso precoce ao setor. A gestora tinha em carteira a JHSF (JHSF3), incorporadora de imóveis de elite e shoppings, a empresa de reflorestamento Eco Brasil Florestas, e a T4F (SHOW3), maior produtora de shows do país à época. Foi pelo contato com a T4F que Correa mapeou o negócio antes de criar sua própria operação.
Investimentos superiores a R$ 270 milhões, captados junto à Artesanal Investimentos e à HSI, deram escala à operação, segundo a 30e.
Em 2024, a empresa diz ter se tornado a maior produtora brasileira de entretenimento ao vivo e passou a concorrer diretamente com a divisão brasileira da Live Nation, empresa americana responsável por trazer ao Brasil turnês de Coldplay, Bruno Mars e Dua Lipa, entre outros.
Correa é neto de publicitário. O avô, Petrônio Cunha Correa, foi sócio da MPM Propaganda na década de 1950, e participou da fundação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e do CENP (Conselho Executivo de Normas Padrões).
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