O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta 4ª feira (11.mar.2026) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), em meio às discussões nos Estados Unidos sobre classificar facções brasileiras como organizações terroristas. O telefonema foi durante a reunião de Lula com o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Durante a conversa, os 2 presidentes falaram sobre a participação de Lula na próxima cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). O encontro será realizado em 21 de março, em Bogotá, na Colômbia. Até então, Lula não iria.
O que mudou é o contexto geopolítico. Agora, o governo brasileiro acompanha debates em Washington sobre a possibilidade de enquadrar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas.
O governo quer ampliar a cooperação em segurança para reduzir pressões externas sobre o Brasil em relação às facções criminosas –inclusive com os Estados Unidos.
Mas uma eventual decisão dos EUA pode gerar efeitos diplomáticos e de segurança para países da região. No Planalto, a avaliação é que classificá-las como organizações terroristas envolve certo grau de subjetividade, já que esses grupos têm natureza distinta de organizações com motivação ideológica.
A Colômbia enfrentou situação semelhante em dezembro de 2025, quando Washington classificou a organização criminosa Clan del Golfo como grupo terrorista. Em fevereiro, Petro anunciou a retomada de negociações com o grupo.
Além do contato com Gustavo Petro, Lula também conversou na 2ª feira (9.mar) com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. O país enfrenta há anos uma crise de segurança marcada pela atuação de cartéis do narcotráfico.
Nos últimos dias, o tema do crime organizado ganhou peso na política regional. No sábado (7.mar), o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano) reuniu 12 líderes latino-americanos de direita em uma cúpula voltada ao combate ao narcotráfico. O Brasil não participou do encontro.
O tema do combate ao crime organizado será discutido em reunião entre Lula e Trump, que está em negociação. É a pauta prioritária para o governo brasileiro em Washington.
O encontro ainda não tem data definida. Caso Lula realmente confirme ida a Celac, a agenda de março fica embargada e caí a expectativa do próprio governo em fazer o encontro na 2ª quinzena de março. Integrantes do Palácio do Planalto já admitem a possibilidade de adiamento para abril ou maio.
Na 3ª feira (10.mar), Lula cancelou a viagem que faria ao Chile para participar da posse do presidente eleito José Antônio Kast (Partido Republicano, à direita).
O Brasil foi convidado pelo próprio Kast, mas acabou sendo representado na cerimônia pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O Planalto ainda não explicou oficialmente a decisão. O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença na posse e criticou Lula por não ter ido.


