A dívida global aumentou e atingiu cerca de US$ 348 trilhões em 2025, registrando o maior avanço anual desde o período da pandemia, segundo relatório do Institute of International Finance (IIF). O número inclui obrigações de governos, empresas e famílias.
Rafael Meruane, cofundador da Notbank by CryptoMarket, afirma que a dinâmica atual da economia exige crescimento constante da dívida para manter a estabilidade financeira. Segundo ele, após a crise financeira de 2008 houve uma mudança estrutural na condução da política econômica.
“O endividamento deixou de ser uma exceção e passou a ser parte central da política econômica. Hoje, a emissão monetária constante sustenta o sistema, mas transfere o custo para o cidadão por meio da inflação — conhecido como imposto invisível”, afirmou.
Outro ponto levantado por analistas é a fragilidade associada ao sistema financeiro. Em episódios de crise, instituições consideradas “grandes demais para quebrar” frequentemente recebem apoio estatal.
Para Meruane, esse modelo cria uma “falsa sensação de estabilidade”. O sistema continua funcionando porque há liquidez constante, mas essa estabilidade pode ser apenas uma extensão artificial de um ciclo que já apresenta sinais de esgotamento.
O aumento da dívida global aumenta o interesse de investidores por ativos que não dependam diretamente da política monetária de governos ou bancos centrais.
Historicamente, metais como ouro e prata foram utilizados como reserva de valor. Com o avanço da digitalização da economia, criptomoedas passaram a ser consideradas por parte do mercado como uma alternativa nesse papel.
Para Denise Cinelli, COO da CryptoMarket, os ativos digitais representam uma mudança na forma como indivíduos acessam e utilizam dinheiro. “As criptomoedas surgem como resposta a um sistema que perde eficiência e transparência. Elas se baseiam em descentralização e acesso”, afirmou.
Entre os ativos digitais que têm ganhado espaço estão as stablecoins, criptomoedas cujo valor é atrelado a ativos considerados estáveis, como o dólar. Cinelli explica que esse ativo é a ponte entre a estabilidade do sistema financeiro tradicional e o digital, que utiliza a eficiência da tecnologia blockchain.
Os especialistas também explicam que o uso de criptomoedas tem aumentado entre jovens investidores, trabalhadores remotos e usuários em economias com instabilidade monetária. Nestes casos, os ativos digitais passam a ser utilizados não apenas como investimento, mas também como infraestrutura financeira para pagamentos e preservação de valor.
“A discussão não é mais se as criptomoedas são uma opção, mas como elas podem ser utilizadas para preservar valor e acessar a economia digital”, afirmou Meruane.
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