A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) caiu 0,24% em março, após registrar retração de 0,42% no mês anterior. O movimento de deflação desse mês foi puxado principalmente pelo recuo das commodities no atacado e pela desaceleração de preços ao consumidor, apontam dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados nesta terça-feira (17).
O resultado reforça o cenário de perda de força dos preços na economia. No acumulado de 2026, o índice recua 0,36%, enquanto em 12 meses registra queda de 2,53%.
Um ano antes, o quadro era diferente: em março de 2025, o IGP-10 registrava alta de 0,04% no mês e de 8,59% em 12 meses.
Em recente declaração ao Valor, o economista do FGV IBRE, André Braz esclareceu que a deflação no IGP-10 de março ainda não captou integralmente o impacto da guerra no Oriente Médio.
A desaceleração da inflação pelo IGP-10 foi influenciada pela queda de commodities relevantes, como minério de ferro, soja e milho, que pressionaram o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA).
André Braz explica que o recuo do IPA não foi mais intenso devido à elevação dos preços de produtos da pecuária, como bovinos, carne e leite.
Já no âmbito do consumidor, cuja taxa apresentou desaceleração expressiva, os maiores destaques foram os movimentos de cursos formais e passagens aéreas, ambos com retração em suas taxas de variação.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que representa os preços no atacado e responde pela maior parte do IGP-10, caiu 0,39% em março, após recuo de 0,8% em fevereiro.
Na análise por estágios de processamento:
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,03% em março, abaixo dos 0,5% registrados em fevereiro, indicando desaceleração relevante da inflação ao consumidor.
Cinco das oito classes de despesa apresentaram recuo nas taxas:
Em sentido oposto, em três grupos foi registrado um aumento da inflação:
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,29% em março, desacelerando frente aos 0,47% de fevereiro.
Os três componentes do índice apresentaram perda de ritmo:
Segundo o FGV IBRE, na construção civil, as altas menos intensas nos custos de mão de obra mais contribuíram para a desaceleração da inflação nesse segmento.
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