Natura (NATU3) lideram altas do Ibovepsa após resultados do 4T; Ebtida surpreende
As ações da Natura (NATU3) estão liderando os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira (17), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025. Por volta das 12h, os papéis da companhia sobem 7,65%, a R$ 9,29.
Nos três últimos meses do ano passado, a Natura registrou um lucro líquido de R$ 186 milhões nas operações continuadas. O resultado reverte o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
Já a receita líquida ficou em R$ 6,1 bilhões no quarto trimestre, o que indica uma queda de 12,1% na comparação anual. Segundo a companhia, a desaceleração reflete o movimento mais fraco de vendas no Brasil e o cenário de instabilidade operacional na Argentina.
O principal destaque do relatório foi o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) ajustado, que atingiu R$ 978 milhões no último trimestre de 2025. O número representa uma alta de 57,2% frente ao ano anterior.
Além disso, a companhia também apresentou um recuo de R$ 567 milhões na dívida líquida frente ao trimestre anterior, para R$ 3,5 bilhões.
Em um relatório divulgado nesta manhã, a XP destacou que os resultados da Natura trouxeram uma surpresa positiva, principalmente na rentabilidade. Apesar da dinâmica de receita ainda pressionada, os analistas avaliam que o controle mais rígido de despesas impulsionou o desempenho operacional da companhia.
“A Natura reportou resultados melhores no 4T, com receita em linha e pressionada, mas forte surpresa positiva no EBITDA com despesas de vendas mais controladas”, afirmam os analistas no relatório.
Segundo a casa, o Ebitda ajustado superou as estimativas em cerca de 22%, impulsionado por economias nas despesas de vendas e por medidas táticas de eficiência adotadas pela companhia.
Por outro lado, a XP ressalta que o crescimento da receita segue limitado pelo cenário macroeconômico mais desafiador em mercados relevantes, como Brasil e Argentina. No trimestre, a companhia também foi impactada por fraqueza nas operações da Avon e pela desaceleração da venda direta, que continua sendo pressionada pela queda na base de consultoras.
Ainda assim, os analistas avaliam que o trimestre representa um ponto de virada para a empresa. “Na nossa visão, este trimestre representa um marco na história da NATU, finalmente deixando para trás resultados obscurecidos por operações descontinuadas”, destaca o relatório.
Para os próximos períodos, a Natura reiterou o compromisso de ampliar a margem Ebitda em 2026, superando os 14,1% registrados em 2025. A expectativa é que o avanço seja sustentado por ganhos adicionais de eficiência, cortes em despesas administrativas e uma retomada gradual do crescimento nas operações da América Latina. A XP mantém recomendação de compra para as ações da Natura (NATU3).


