José Dirceu de Oliveira e Silva (PT), ex-ministro da Casa Civil, comemorou seu aniversário de 80 anos nesta 3ª feira (17.mar.2026). Na festa, em Brasília, discursou em tom eleitoral. Disse que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência representa uma ameaça à democracia e à soberania brasileira e pediu uma “revolução política e social” para derrotá-la em 2026.
“Nós temos que dizer claramente para o povo brasileiro, essa não é uma campanha de Lulinha, paz e amor. Essa é uma campanha que nós temos que ganhar a maioria do povo brasileiro. Eu tenho dito e repetido: uma revolução política e social”, declarou em discurso.
O petista afirmou que Flávio atua para submeter a soberania brasileira aos Estados Unidos e ao que chamou de “império da guerra”. Segundo ele, seria uma continuidade do projeto de Jair Bolsonaro (PL).
“A volta do bolsonarismo chama-se Flávio Bolsonaro”, disse. “Ele tomou um lado no mundo hoje, o lado do Trump, o lado da guerra.”
Assista (13min34s):
A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no evento foi destacada por Dirceu como símbolo do momento político. Para ele, a aliança com o Centrão é necessária diante do que classificou como risco real de o Brasil ser governado pelos interesses de Donald Trump (Partido Republicano), presidente dos EUA.
O ex-ministro declarou ainda que há uma tentativa de apresentar Flávio como uma alternativa moderada, mas afirmou que o senador mantém a “mesma origem golpista” do pai. Disse que o projeto bolsonarista para o próximo ciclo eleitoral é inspirado no modelo de gestão de Javier Milei (A Liberdade Avança, direita), na Argentina, visando à desvinculação do salário mínimo e à redução do papel do Estado na economia.
Dirceu listou o que chamou de programa da direita: congelar o salário mínimo, privatizar o BNDES e a Petrobras e retirar os pisos constitucionais de saúde e educação. “Eles querem regredir o Brasil para o século 19”, declarou.
Dirceu é pré-candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo. O partido o enxerga como um grande puxador de votos para a Casa Baixa.
O petista usou seu discurso para tratar também da mobilização para o próximo ciclo eleitoral. Defendeu que a campanha de 2026 aborde reformas estruturais profundas, como a mudança na legislação eleitoral e a reforma tributária.
Sobre os casos do Banco Master e do INSS, reconheceu que é preciso ir ao fundo das investigações, mas advertiu que essas pautas não podem desviar o governo do projeto de desenvolvimento nacional.
O ex-ministro, que chegou à 8ª década de vida na 2ª feira (16.mar), reafirmou o que chamou de compromisso da juventude. Disse que sua geração encontrou no PT e em Luiz Inácio Lula da Silva “o fio da história retomado” e encerrou chamando para a disputa: “Passamos 10 anos tentando desvirtuar a consciência da classe trabalhadora. Nós conseguimos derrotar em 22 e vamos derrotar de novo em 26.”
Dirceu ficou 1 ano e 9 meses preso em Curitiba a mando da operação Lava Jato. Foi solto em maio de 2017. Em outubro de 2024, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, anulou todas as condenações da Lava Jato contra o ex-ministro. Com a decisão, ele retomou seus direitos políticos e deixou de ser considerado ficha suja.
A festa de aniversário do ex-ministro aconteceu no Mangai Lago, em Brasília (DF). Reuniu inúmeras autoridades, entre elas ministros do governo, diplomatas e líderes de partidos do Centrão. Marcou o retorno oficial de Dirceu para a vida política, já que agora é pré-candidato.
O ex-ministro chegou no início da noite e foi bastante tietado. Instalado diante de um painel comemorativo com símbolos do PT, recebeu abraços e pedidos de foto.
Durante o evento tocou um um jingle: “Eu e você, você e eu. Estamos do seu lado, Zé Dirceu”.
Sem jantar patrocinado, cada convidado arcou com a própria conta num buffet a quilo.
80 anos de Zé Dirceu
Leia a lista de quem compareceu ao evento:
FAMILIARES
VICE-PRESIDENTE
MINISTROS DE ESTADO
CONGRESSISTAS
OPERADORES DO DIREITO
OUTROS NOMES
No domingo (15.mar), Dirceu havia feito uma comemoração para cerca de 500 pessoas em um salão nobre no Parque São Jorge, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Houve a distribuição de ingressos on-line, que foram esgotados.


