As ações da Hapvida (HAPV3) operam em forte queda nesta quinta-feira (19), após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. Na abertura do mercado, a desvalorização passou de 13% e os papéis entraram em quatro leilões na primeira hora de negociações, liderando as perdas do Ibovespa.
Por volta de 10h21, a operadora de saúde recuava 10,84% antes de nova interrupção para leilão. Posteriormente, passaram ainda por mais duas interrupções:
A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões no quarto trimestre, queda de 64,9% na comparação anual. No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 1,234 bilhão, recuo de 32,3%.
O Ebitda ajustado — indicador que mede a geração operacional de caixa — caiu 32,8% no trimestre, para R$ 713,8 milhões. No ano, houve baixa de 10,9%.
O Citi afirma que o Ebitda ajustado ficou cerca de 30% abaixo das estimativas, acompanhado por uma queima de caixa recorrente de R$ 490 milhões no trimestre.
A receita líquida cresceu 5,9% no trimestre, para R$ 7,9 bilhões, enquanto no acumulado do ano avançou 6,6%, totalizando R$ 30,8 bilhões.
A sinistralidade caixa — proporção das despesas assistenciais sobre a receita — atingiu 75,5% no quarto trimestre, leve alta em relação ao trimestre anterior. No acumulado do ano, ficou em 74,1%.
Esse indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque mostra quanto a operadora gasta com atendimentos médicos. Quanto maior, menor tende a ser a margem da companhia.
Segundo a empresa, o resultado foi impactado por fatores como maior utilização dos serviços, expansão da rede própria e efeitos sazonais.
A base total de beneficiários encerrou o ano em 8,7 milhões, queda de 1,6% na comparação anual. A empresa perdeu cerca de 140 mil vidas em planos de saúde no período.
Segundo o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores Estatutário e de Tecnologia, Lucca Adib, a Hapvida pretende fazer mudanças em sua atuação em praças nas quais sente mais o peso da competição, como nas regiões Sul e Sudeste, onde perdeu beneficiários em 2025.
O Citi também chama atenção para a combinação de fatores que pressionaram o resultado da Hapvida como um todo, citando a aceleração da sinistralidade acima do padrão sazonal e a perda líquida de cerca de 140 mil beneficiários.
O tíquete médio — valor médio pago por cliente — subiu 6,6% no trimestre, para R$ 301,4, ajudando a compensar parcialmente a perda de usuários.
A dívida líquida chegou a R$ 5,18 bilhões, alta de 14,3% em um ano. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, subiu para 1,32 vez.
Os analistas da Ativa Investimentos revisaram a recomendação de compra para neutra após o balanço. A corretora destaca que o resultado refletiu aumento de custos assistenciais, avanço da sinistralidade e maior nível de despesas financeiras.
Segundo a análise, a pressão sobre margens e o ambiente competitivo mais intenso, especialmente no Sudeste, elevam a incerteza sobre a recuperação operacional.
A casa também ajustou suas projeções, incluindo corte no preço-alvo das ações, diante de um cenário de curto prazo mais dependente de execução e controle de custos.
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