Roberto Campos Neto e Gabriel Galípolo são convidados para esclarecer irregularidades no BC
A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (19) o convite para que o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto, prestem depoimento ao colegiado. A comissão investiga irregularidades em empréstimos consignados e possíveis ligações de servidores da autarquia com o Banco Master.
Os depoimentos ocorrem em um momento de polarização política dentro da comissão: enquanto Campos Neto é alvo de críticas da ala governista, Galípolo enfrenta pressão da oposição.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) indicam que, durante as gestões de Campos Neto e Galípolo, servidores do Banco Central mantiveram vínculos suspeitos com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Entre os nomes citados pela PF estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária.
De acordo com o inquérito, ambos teriam atuado de forma irregular para favorecer os interesses da instituição financeira. Os servidores foram afastados de suas funções em janeiro para a apuração interna dos fatos.
O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), trouxe à tona uma denúncia grave sobre uma tentativa de invasão à sala-cofre da comissão. Segundo o parlamentar, houve a suspeita de que uma pessoa tentou entrar no local, que armazena dados sigilosos do celular de Daniel Vorcaro, portando uma “câmera escondida”.
Viana também reagiu a uma nota da Polícia Federal que acusou a comissão de reinserir dados de Vorcaro no sistema após uma determinação de exclusão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O senador classificou a nota como “despropositada” e protocolou um pedido ao ministro André Mendonça para que a Corte defina quais dados podem ser utilizados pela investigação sem comprometer processos em curso.
Além das suspeitas de corrupção, Galípolo e Campos Neto devem ser questionados sobre a eficácia da fiscalização do Banco Central em relação aos juros e à oferta de crédito consignado para aposentados e pensionistas. O tema é sensível para a comissão, que busca identificar se houve omissão regulatória que permitiu abusos contra os segurados do INSS.


