Em todo o mundo, o dia 3 de maio é assinalado como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Mas como está, afinal, a liberdade de imprensa no mundo?
Quando há uma deriva em direção ao autoritarismo, há também, inevitavelmente, uma deriva no jornalismo.
De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a liberdade de imprensa nunca desceu a este nível. Pela primeira vez, mais de metade dos países enquadra-se na categoria "difícil" ou "muito grave" em matéria de liberdade de imprensa.
Nas Filipinas:
De acordo com um inquérito da Forbidden Stories, 77% foram ameaçados por "representantes de autoridades públicas".
Foi o que viveram os jornalistas nas Filipinas, como o Rappler, que foi alvo de uma avalanche de processos por assédio durante o mandato do ex-presidente Rodrigo Duterte.
Atualmente, Frenchie Mae Cumpio, de 27 anos, está presa há seis anos por várias acusações — e foi recentemente condenada por financiamento do terrorismo.
Em Hong Kong, uma lei instrumentalizada foi usada contra o defensor da democracia Jimmy Lai, editor do Apple Daily. Foi condenado a 20 anos de prisão, algo que a Human Rights Watch classificou como "cruel and profoundly unjust."
O efeito dissuasor da violência online também é evidente, com a autocensura a tornar-se a resposta de alguns jornalistas. Segundo um estudo das Nações Unidas, 41% das jornalistas inquiridas praticam autocensura nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% se autocensuram no trabalho profissional devido à violência online.
E à medida que a Big Tech aperta o garrote sobre o jornalismo — roubando audiências, receitas e tornando-se um terreno fértil para a desinformação — as redações unem-se para reconquistar em conjunto o espaço digital.
De acordo com a declaração das redações da ASEAN nas Filipinas (Luzon, Visayas e Mindanao), na Indonésia, na Malásia e em Myanmar, apelam a espaços seguros onde os algoritmos sejam transparentes e sirvam as pessoas, e não as margens de lucro das empresas tecnológicas.
As redações da ASEAN apelaram também a uma "colaboração radical", algo que outrora era contrário à lógica das redações altamente competitivas.
Juntamo-nos a este apelo: 'Let's build an internet where humans thrive.' – Rappler.com


