O dólar acentuou a queda ante o real e fechou esta quarta-feira (21) em queda de 1,11%, a R$ 5,32, em meio a um ambiente externo mais favorável aos ativos de risco e à diversificação global de carteiras para fora dos Estados Unidos.
O aumento do apetite ao risco ganhou força após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos. Ele afirmou que não pretende usar força militar na questão da Groenlândia e, mais tarde, informou que não aplicará tarifas adicionais à Europa a partir de fevereiro.
Segundo participantes do mercado, a sinalização de menor tensão geopolítica contribuiu para a valorização de moedas de países emergentes, como o real. A leitura é de que um ambiente global mais previsível tende a favorecer fluxos para mercados com juros mais elevados.
“O desempenho do real esteve alinhado ao de outros emergentes, que se apreciaram por conta da diversificação global das carteiras para fora dos EUA”, afirmou o gestor de fundos multimercados Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management, em fala ao Broadcast.
No cenário doméstico, o câmbio também reagiu à divulgação de uma pesquisa Atlasintel que apontou redução da distância na intenção de votos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
De acordo com analistas, o mercado financeiro associa o nome de Flávio Bolsonaro à continuidade de uma agenda econômica semelhante à do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
Apesar da queda do dólar frente ao real, a moeda americana ganhou força contra uma cesta de seis divisas fortes. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a essas moedas, operava em alta de 0,16%.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Ainda assim, o real manteve valorização superior a 1%, sustentado por fatores domésticos e pelo diferencial de juros, sustentando operações de carry trade — quando investidores tomam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com taxas mais elevadas, buscando ganho com a diferença.
Outro ponto de atenção foi o julgamento envolvendo a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook. A Suprema Corte dos Estados Unidos indicou tendência de mantê-la no cargo, o que reduziu a percepção de interferência política no banco central americano.
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