Comunicado divulgado pelo governo Trump afirma seguir com as ações contra supostas práticas desleais de brasileirosComunicado divulgado pelo governo Trump afirma seguir com as ações contra supostas práticas desleais de brasileiros

EUA mantêm investigação comercial contra o Brasil mesmo com queda do tarifaço

2026/02/22 06:12
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Mesmo após a Suprema Corte ter derrubado o tarifaço de Donald Trump, o governo dos EUA mantém a investigação ao Brasil sobre supostas práticas desleais de comércio, afirma um documento divulgado na 6ª feira (20.fev.2026) pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Leia a íntegra (PDF – 99 kB).

Aberta em julho do ano passado, a investigação é realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA. À época, o presidente Trump enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma carta que informava sobre a taxa de 50% aplicada aos produtos brasileiros e a apuração sobre práticas comerciais do Brasil.

No comunicado de 6ª feira, o USTR afirmou que pretende “prosseguir com as investigações em andamento da Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China”. Segundo o órgão, o processo pode ser usado para justificar adoção de novas tarifas.

“Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, diz o documento.

A investigação aberta em 2025 tinha questionamentos ao Pix e ao comércio informal na avenida 25 de Março, em São Paulo. Leia a íntegra (PDF – 189 kb). O governo norte-americano disse, à época, que avaliaria práticas brasileiras em áreas como comércio eletrônico, pagamentos digitais, tecnologia, taxas de importação e desmatamento. Além disso, criticou a proteção de propriedade intelectual no Brasil.

Segundo o ofício, a investigação examina as políticas brasileiras que poderiam prejudicar a competitividade de empresas norte-americanas no setor de pagamentos digitais e comércio eletrônico.

ALTERNATIVAS

A retomada de investigações comerciais é apenas uma das alternativas que o governo Trump planeja usar para manter parte da arrecadação diante da decisão da Suprema Corte que tornou o tarifaço ilegal.

Segundo o USTR, a Casa Branca planeja 4 medidas:

  • Impor uma sobretaxa temporária global de 10%, nos termos da “Seção 122” da Lei de Comércio de 1974. Trump aumentou a taxa para 15%. neste sábado (21.fev);
  • Iniciar novas investigações com base na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974;
  • Dar continuidade às investigações da “Seção” 301, contra Brasil e China, por exemplo;
  • Manter as tarifas atualmente impostas com base na “Seção 232” da Lei de Expansão Comercial de 1963.

DERRUBADA DO TARIFAÇO

A Suprema Corte dos EUA tornou ilegal na 6ª feira (20.fev) o tarifaço imposto pelo republicano em 2025. A instância mais alta da Justiça norte-americana decidiu que Trump não pode criar tarifas por conta própria sem autorização expressa do Congresso. A Constituição do país atribui ao Legislativo o poder de instituir impostos e tarifas de importação. Foram 6 votos a 3 pela derrubada do tarifaço.

O Tribunal chegou a essa conclusão ao analisar ações judiciais movidas por pequenas empresas afetadas pelas tarifas e por 12 Estados norte-americanos. Os autores argumentaram que Trump extrapolou sua autoridade ao impor taxas amplas sobre produtos importados de diversos países.

A decisão foi redigida pelo juiz-chefe John Roberts. Segundo ele, “o presidente deve apontar para uma autorização clara do Congresso para justificar sua extraordinária alegação de poder para impor tarifas”. Eis a íntegra (PDF – 738 kB, em inglês).

Votaram pela manutenção das tarifas o juíz Brett Kavanaugh, indicado por Trump, e outros 2 magistrados conservadores.

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