Existe um momento curioso nos mercados: quando acontece exatamente aquilo que deveria derrubar o preço e ele simplesmente não cai. É como um boxeador que leva um soco forte e todos esperam que vá ao chão, mas ele continua de pé. É isso que chama atenção no Bitcoin agora, diz Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin.
Há conflito direto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, petróleo em alta, risco inflacionário crescente e bolsas americanas sob pressão. Mesmo assim, o Bitcoin caiu até a região dos US$ 62 mil e já voltou a negociar perto de US$ 69.500, mostrando uma resiliência que o mercado não pode ignorar.
O barril de petróleo, que há três meses estava em torno de US$ 61, subiu mais de 24% e atingiu US$ 76, chegando a superar temporariamente os US$ 80. É o nível mais alto desde o último ataque ao Irã, em junho de 2025.
Petróleo mais caro pressiona a inflação. Inflação pressionada mantém os juros elevados por mais tempo. E juros altos, em geral, não favorecem criptoativos, que são ativos digitais negociados fora do sistema financeiro tradicional.
Quem acabou de chegar ao mercado reage ao barulho. Quem está há dez anos reage às probabilidades.
Investidores de longo prazo no Bitcoin já passaram por quedas de 50%, por manchetes decretando o fim da criptomoeda e por ciclos completos de euforia e depressão. Eles conhecem o padrão e sabem que os melhores momentos de compra raramente parecem confortáveis.
Nos últimos dias, esse grupo acumulou cerca de 70 mil Bitcoins. Isso não elimina a possibilidade de novas oscilações, mas historicamente sinaliza que estão enxergando valor onde a maioria ainda vê medo. Eles não compram porque está subindo. Compram porque consideram o preço barato.
A probabilidade de aprovação do Clarity Act, projeto de lei americano que estabelece regras claras para o mercado de criptoativos, gira em torno de 70%. Se as regras se tornam mais definidas, o capital institucional, dinheiro de grandes fundos e bancos, tende a entrar com mais conforto.
ETFs são fundos negociados em bolsa que permitem a investidores tradicionais ter exposição ao Bitcoin sem precisar comprar a criptomoeda diretamente. Eles são hoje a principal ponte entre o mercado financeiro convencional e o Bitcoin.
Depois de semanas difíceis, esses fundos registraram cerca de US$ 780 milhões em entradas líquidas, mesmo com a guerra dominando o noticiário. Se houvesse pânico real, o fluxo estaria acelerando na saída. O que se viu foi o oposto: o dinheiro mais paciente começou a entrar enquanto o sentimento ainda era negativo.
Sozinhos, esses sinais dizem pouco. Juntos, começam a formar uma narrativa.
A guerra não derrubou o Bitcoin como muitos esperavam. O petróleo subiu e a criptomoeda reagiu positivamente. Investidores experientes seguem acumulando. Os ETFs voltaram a receber fluxo. E a regulação pode avançar nos próximos meses com o Clarity Act.
Se o fundo foi nos US$ 60 mil, só o tempo dirá. O que já é possível dizer é que o Bitcoin mostra mais força do que muitos imaginariam neste cenário. E quando um ativo resiste em meio ao caos, vale observar.
O artigo Por que o Bitcoin está subindo mesmo com guerra, segundo o Mercado Bitcoin foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.

