Conheci Darly Rozatto, 84 anos, numa manhã de sexta-feira, numa sala anexa a um salão onde um grupo de idosos fazia ginástica funcional para melhorar a mobilidade. Darly, um senhor esguio, de 1,82 m de altura e 70 quilos, que viveu uma carreira de sucesso como executivo de logística em multinacionais, faltou à aula para me contar por que, desde maio, é frequentador do projeto Mova-se, realizado pelo Hospital Sírio-Libanês para moradores do seu entorno, no bairro Bela Vista, centro da capital paulista. “Estou cada vez mais interessado na velhice. À medida que ela vai chegando, você vai entendendo que velhice é um negócio, puxa vida, que realmente muda… Não tem como voltar pra trás, entendeu?,” diz. Darly frequenta a ginástica gratuita três vezes por semana, mas também vai às palestras de especialistas do hospital sobre envelhecimento saudável, que abordam temas como nutrição e memória. Caxias — “sempre fui” — ele chega para a entrevista com um relatório escrito do que deseja me contar. Darly, que trabalhou em vários países, continua ativo. Todos os dias vai para o escritório que mantém perto de casa, onde toma conta dos negócios da família — ele é casado há mais de seis décadas com Ivani, 82 anos, com quem tem dois filhos (um faleceu) e um neto. (Ela não frequenta o Mova-se porque foi diagnosticada recentemente com Alzheimer.) Ele diz que não lamenta ser idoso, mas que a idade tirou dele a natação, a direção do carro e o vinho. “Às vezes eu tenho uma vontade enorme de tomar um copo de vinho. Eu vivi na Argentina, aprendi a tomar o melhor Malbec do mundo.” O Mova-se é parte do Projeto Abrace Seu Bairro, que a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês mantém desde 2001. Atualmente, entre outras coisas, oferece atividades físicas para 168 pessoas com 60 anos ou mais, como Darly. Há, por exemplo, uma aula específica para aqueles com risco de queda; o perigo é detectado na avaliação geriátrica com os especialistas da casa. “Avaliamos as dimensões da saúde cognitiva, funcional, física, sensorial (visão e audição), psicológica e nutricional,” diz a geriatra Naira Hojaij, coordenadora do Núcleo Avançado de Geriatria do Sírio-Libanês. Alguns dados já coletados nessas avaliações: 62% dos idosos apresentam ansiedade e depressão, 57% sofreram perda de renda e 22% já tiveram pelo menos uma queda. O Mova-se, me conta Naira, não é uma ação isolada do Sírio no tema do envelhecimento. Segundo ela, o Núcleo que ela coordena é uma referência dentro da instituição para cuidados de paciente frágil, abrangendo desde o Pronto-Socorro até tratamentos cotidianos. Ela me dá um exemplo de como pode intervir no controle de pressão arterial de um paciente com Alzheimer. “Muitos estudos mostram que controlar a pressão em 11 por oito é bom para o coração desse paciente, mas não é bom para o cérebro, que precisa de uma pressão maior,” diz. “Então, a geriatria entra orientando que às vezes é preciso suavizar um pouquinho a medicação.” O Núcleo conta atualmente com 40 geriatras, que funcionam como uma central de cuidados e promoção de saúde no envelhecimento. Há um motivo para que um dos principais hospitais do país esteja atento ao envelhecimento da população: no último ano, 38% dos pacientes que internaram ali tinham 65 anos ou mais. “A geriatria teve uma valorização importante dentro do Sírio. É um dos eixos transversais por conta do envelhecimento populacional.” Segundo ela, atualmente essa especialidade está muito mais embasada em dados, em evidências científicas. “Nosso papel é a promoção da saúde no envelhecimento. Numa consulta geriátrica avaliamos as doenças que a pessoa tem, mas também sua fragilidade e o que ela pode modificar para ter uma melhor qualidade de vida.” Quanto a Darly, peço desculpas por ele ter perdido a ginástica e pergunto o que o deixa feliz: “Eu sou um cara feliz nas coisas simples, com minha família, com meu irmão. E acordar de manhã me deixa muito feliz.” Mais Lidas Conheci Darly Rozatto, 84 anos, numa manhã de sexta-feira, numa sala anexa a um salão onde um grupo de idosos fazia ginástica funcional para melhorar a mobilidade. Darly, um senhor esguio, de 1,82 m de altura e 70 quilos, que viveu uma carreira de sucesso como executivo de logística em multinacionais, faltou à aula para me contar por que, desde maio, é frequentador do projeto Mova-se, realizado pelo Hospital Sírio-Libanês para moradores do seu entorno, no bairro Bela Vista, centro da capital paulista. “Estou cada vez mais interessado na velhice. À medida que ela vai chegando, você vai entendendo que velhice é um negócio, puxa vida, que realmente muda… Não tem como voltar pra trás, entendeu?,” diz. Darly frequenta a ginástica gratuita três vezes por semana, mas também vai às palestras de especialistas do hospital sobre envelhecimento saudável, que abordam temas como nutrição e memória. Caxias — “sempre fui” — ele chega para a entrevista com um relatório escrito do que deseja me contar. Darly, que trabalhou em vários países, continua ativo. Todos os dias vai para o escritório que mantém perto de casa, onde toma conta dos negócios da família — ele é casado há mais de seis décadas com Ivani, 82 anos, com quem tem dois filhos (um faleceu) e um neto. (Ela não frequenta o Mova-se porque foi diagnosticada recentemente com Alzheimer.) Ele diz que não lamenta ser idoso, mas que a idade tirou dele a natação, a direção do carro e o vinho. “Às vezes eu tenho uma vontade enorme de tomar um copo de vinho. Eu vivi na Argentina, aprendi a tomar o melhor Malbec do mundo.” O Mova-se é parte do Projeto Abrace Seu Bairro, que a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês mantém desde 2001. Atualmente, entre outras coisas, oferece atividades físicas para 168 pessoas com 60 anos ou mais, como Darly. Há, por exemplo, uma aula específica para aqueles com risco de queda; o perigo é detectado na avaliação geriátrica com os especialistas da casa. “Avaliamos as dimensões da saúde cognitiva, funcional, física, sensorial (visão e audição), psicológica e nutricional,” diz a geriatra Naira Hojaij, coordenadora do Núcleo Avançado de Geriatria do Sírio-Libanês. Alguns dados já coletados nessas avaliações: 62% dos idosos apresentam ansiedade e depressão, 57% sofreram perda de renda e 22% já tiveram pelo menos uma queda. O Mova-se, me conta Naira, não é uma ação isolada do Sírio no tema do envelhecimento. Segundo ela, o Núcleo que ela coordena é uma referência dentro da instituição para cuidados de paciente frágil, abrangendo desde o Pronto-Socorro até tratamentos cotidianos. Ela me dá um exemplo de como pode intervir no controle de pressão arterial de um paciente com Alzheimer. “Muitos estudos mostram que controlar a pressão em 11 por oito é bom para o coração desse paciente, mas não é bom para o cérebro, que precisa de uma pressão maior,” diz. “Então, a geriatria entra orientando que às vezes é preciso suavizar um pouquinho a medicação.” O Núcleo conta atualmente com 40 geriatras, que funcionam como uma central de cuidados e promoção de saúde no envelhecimento. Há um motivo para que um dos principais hospitais do país esteja atento ao envelhecimento da população: no último ano, 38% dos pacientes que internaram ali tinham 65 anos ou mais. “A geriatria teve uma valorização importante dentro do Sírio. É um dos eixos transversais por conta do envelhecimento populacional.” Segundo ela, atualmente essa especialidade está muito mais embasada em dados, em evidências científicas. “Nosso papel é a promoção da saúde no envelhecimento. Numa consulta geriátrica avaliamos as doenças que a pessoa tem, mas também sua fragilidade e o que ela pode modificar para ter uma melhor qualidade de vida.” Quanto a Darly, peço desculpas por ele ter perdido a ginástica e pergunto o que o deixa feliz: “Eu sou um cara feliz nas coisas simples, com minha família, com meu irmão. E acordar de manhã me deixa muito feliz.” Mais Lidas
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Há um motivo para que um dos principais hospitais do país esteja atento ao envelhecimento da população: no último ano, 38% dos pacientes que internaram ali tinham 65 anos ou mais
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