Cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Esses são os tratamentos usuais do câncer. Mas agora há uma nova abordagem que pode destruir tumores sem cortar a pele ou queimar tecidos saudáveis: a histotripsia. Em artigo publicado no The Conversation, Justin Stebbing, professor de Ciências Biomédicas na Universidade Anglia Ruskin, do Reino Unido, explicou que essa abordagem utiliza tecnologia semelhante à das ultrassonografias médicas, mas entrega energia muito mais potente e focada. “Em vez de gerar uma imagem, produz rajadas controladas de energia que formam bolhas microscópicas dentro do tecido alvo”, descreveu. “À medida que essas bolhas se expandem e colapsam rapidamente, elas fragmentam o tecido em partículas minúsculas. O corpo então absorve e elimina esses resíduos ao longo de algumas semanas, deixando pouca ou nenhuma cicatriz e preservando as estruturas ao redor.” Stebbing acrescentou que uma das maiores vantagens da histotripsia é que ela não é invasiva. Na prática, isso significa ausência de cortes, menos dor, menor risco de infecção e recuperação mais rápida do que cirurgias ou tratamentos que utilizam calor para destruir tecidos. Estudos em laboratório e em animais já demonstraram que o procedimento, que não usa radiação ionizante nem calor, pode destruir tumores no fígado, rim, pâncreas e outros órgãos. “Sua capacidade de delimitar claramente a área tratada enquanto poupa estruturas vitais próximas a torna especialmente útil para cânceres localizados perto de vasos sanguíneos, ductos ou outros tecidos sensíveis”, salientou o professor. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) já o aprovou para tratamentos selecionados no fígado após resultados promissores em pacientes com câncer hepático primário e secundário. Stebbing citou o estudo multicêntrico Hope4Liver, no qual a histotripsia removeu com sucesso tumores hepáticos alvo com menos complicações do que muitos tratamentos padrão. “Esses primeiros resultados sugerem que a tecnologia pode ser valiosa não apenas para câncer, mas também para condições benignas”, observou. Ela complementou que a abordagem faz mais do que romper mecanicamente tumores: “Quando as células tumorais são fragmentadas, elas liberam detritos celulares e sinais químicos que alertam o sistema imunológico. Pesquisas de laboratório mostram que isso pode ajudar o corpo a reconhecer e atacar células cancerígenas”. Alguns estudos, inclusive, chegaram a demonstrar efeitos abscopais, ou seja, respostas imunológicas desencadeadas em regiões tumorais distantes da área tratada. Essa ativação do sistema imunológico, de acordo com o autor do artigo, levanta a possibilidade de combinar a histotripsia com imunoterapias modernas, tornando as células cancerosas mais vulneráveis às defesas do corpo. Outra vantagem do procedimento é sua integração com imagens em tempo real, o que dá aos médicos a capacidade de ajustar o tratamento aos movimentos do paciente, como a respiração, e de contornar variações anatômicas. “Olhando para o futuro, a histotripsia pode se tornar uma adição poderosa ao arsenal médico. Pesquisadores ainda estudam seus benefícios de longo prazo em grupos maiores de pacientes, mas seu histórico de segurança, o mínimo dano aos tecidos ao redor e a compatibilidade com tratamentos baseados no sistema imunológico a destacam”, pontuou o professor. Mas, ele ponderou que ainda existem desafios. Diferenças na densidade dos tecidos, na anatomia dos pacientes e na movimentação corporal podem dificultar o alvo da terapia. O fenômeno conhecido como aberração acústica - quando ondas sonoras são distorcidas por ossos ou outros tecidos - também pode reduzir a precisão. “Também é importante lembrar que o câncer muitas vezes está mais disseminado do que os exames de imagem conseguem detectar. A histotripsia atua em lesões específicas e localizadas, mas não identifica ou trata células cancerosas microscópicas escondidas. Para muitos pacientes, porém, ela pode desempenhar um papel valioso dentro de um plano de tratamento mais amplo”, salientou Stebbing. E ele finalizou: “Ao transformar ondas sonoras em uma terapia potente e precisa, cientistas e médicos estão redefinindo como condições como o câncer podem ser tratadas: de forma menos invasiva, mais segura e com maior potencial de cura. À medida que a pesquisa avança, a histotripsia se prepara para remodelar o cuidado com o paciente nos próximos anos”. Mais Lidas Cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Esses são os tratamentos usuais do câncer. Mas agora há uma nova abordagem que pode destruir tumores sem cortar a pele ou queimar tecidos saudáveis: a histotripsia. Em artigo publicado no The Conversation, Justin Stebbing, professor de Ciências Biomédicas na Universidade Anglia Ruskin, do Reino Unido, explicou que essa abordagem utiliza tecnologia semelhante à das ultrassonografias médicas, mas entrega energia muito mais potente e focada. “Em vez de gerar uma imagem, produz rajadas controladas de energia que formam bolhas microscópicas dentro do tecido alvo”, descreveu. “À medida que essas bolhas se expandem e colapsam rapidamente, elas fragmentam o tecido em partículas minúsculas. O corpo então absorve e elimina esses resíduos ao longo de algumas semanas, deixando pouca ou nenhuma cicatriz e preservando as estruturas ao redor.” Stebbing acrescentou que uma das maiores vantagens da histotripsia é que ela não é invasiva. Na prática, isso significa ausência de cortes, menos dor, menor risco de infecção e recuperação mais rápida do que cirurgias ou tratamentos que utilizam calor para destruir tecidos. Estudos em laboratório e em animais já demonstraram que o procedimento, que não usa radiação ionizante nem calor, pode destruir tumores no fígado, rim, pâncreas e outros órgãos. “Sua capacidade de delimitar claramente a área tratada enquanto poupa estruturas vitais próximas a torna especialmente útil para cânceres localizados perto de vasos sanguíneos, ductos ou outros tecidos sensíveis”, salientou o professor. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) já o aprovou para tratamentos selecionados no fígado após resultados promissores em pacientes com câncer hepático primário e secundário. Stebbing citou o estudo multicêntrico Hope4Liver, no qual a histotripsia removeu com sucesso tumores hepáticos alvo com menos complicações do que muitos tratamentos padrão. “Esses primeiros resultados sugerem que a tecnologia pode ser valiosa não apenas para câncer, mas também para condições benignas”, observou. Ela complementou que a abordagem faz mais do que romper mecanicamente tumores: “Quando as células tumorais são fragmentadas, elas liberam detritos celulares e sinais químicos que alertam o sistema imunológico. Pesquisas de laboratório mostram que isso pode ajudar o corpo a reconhecer e atacar células cancerígenas”. Alguns estudos, inclusive, chegaram a demonstrar efeitos abscopais, ou seja, respostas imunológicas desencadeadas em regiões tumorais distantes da área tratada. Essa ativação do sistema imunológico, de acordo com o autor do artigo, levanta a possibilidade de combinar a histotripsia com imunoterapias modernas, tornando as células cancerosas mais vulneráveis às defesas do corpo. Outra vantagem do procedimento é sua integração com imagens em tempo real, o que dá aos médicos a capacidade de ajustar o tratamento aos movimentos do paciente, como a respiração, e de contornar variações anatômicas. “Olhando para o futuro, a histotripsia pode se tornar uma adição poderosa ao arsenal médico. Pesquisadores ainda estudam seus benefícios de longo prazo em grupos maiores de pacientes, mas seu histórico de segurança, o mínimo dano aos tecidos ao redor e a compatibilidade com tratamentos baseados no sistema imunológico a destacam”, pontuou o professor. Mas, ele ponderou que ainda existem desafios. Diferenças na densidade dos tecidos, na anatomia dos pacientes e na movimentação corporal podem dificultar o alvo da terapia. O fenômeno conhecido como aberração acústica - quando ondas sonoras são distorcidas por ossos ou outros tecidos - também pode reduzir a precisão. “Também é importante lembrar que o câncer muitas vezes está mais disseminado do que os exames de imagem conseguem detectar. A histotripsia atua em lesões específicas e localizadas, mas não identifica ou trata células cancerosas microscópicas escondidas. Para muitos pacientes, porém, ela pode desempenhar um papel valioso dentro de um plano de tratamento mais amplo”, salientou Stebbing. E ele finalizou: “Ao transformar ondas sonoras em uma terapia potente e precisa, cientistas e médicos estão redefinindo como condições como o câncer podem ser tratadas: de forma menos invasiva, mais segura e com maior potencial de cura. À medida que a pesquisa avança, a histotripsia se prepara para remodelar o cuidado com o paciente nos próximos anos”. Mais Lidas

Ondas sonoras contra o câncer: técnica usa pulsos de ultrassom para destruir tumores malignos sem cortes ou radiação

2025/11/28 21:10
Leu 1 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com
Estudos em laboratório e em animais já demonstraram que o procedimento, que não usa radiação ionizante nem calor, pode destruir tumores no fígado, rim, pâncreas e outros órgãos
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

USD1 Genesis: 0 Fees + 12% APRUSD1 Genesis: 0 Fees + 12% APR

New users: stake for up to 600% APR. Limited time!