Os últimos três anos mostraram-se bastante desafiadores para as empresas: de forma geral, houve uma queda na receita líquida (aproximadamente 8%) das participantes da pesquisa, com reflexos normalmente negativos nos demais indicadores financeiros.
A margem operacional continuou em trajetória de queda (quase um ponto percentual nas TOP 30 e praticamente estável nas demais, com 8,2%).
Juros altos pressionaram as despesas financeiras e, daí, a margem líquida. Nas TOP 30, ela ficou no menor nível em três anos (12,8%), enquanto a mediana das demais (4,3%) pouco mudou.
Entretanto, mesmo nesse cenário menos favorável, todos os tipos de empresas conseguiram apresentar retornos muito bons aos acionistas.
*por Eduardo Menicucci, professor associado da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - Desempenho Financeiro — Foto: 360° 2025
As TOP 30 se destacam significativamente, com comitês de assessoramento ao conselho mais consistentes. O comitê de pessoas e temas afins, por exemplo, está presente em 86% das TOP30 e em apenas 63% das demais.
Em ESG/Socioambiental, 75% das TOP 30 têm o comitê, em comparação com 46% das demais. Em comitê de finanças/investimento, são 68% e 47%, respectivamente.
Outro ponto relevante: 100% das TOP 30 têm políticas anticorrupção, evidenciando um compromisso superior em relação às demais.
Além disso, 70% delas tiveram auditoria independente no último ano para verificar políticas e processos de combate à lavagem de dinheiro.
* por Dalton Sardenberg, professor associado da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - ESG / Governança — Foto: 360° 2025
Os dados do anuário deste ano sugerem que as organizações participantes possuem estruturas de pesquisa e desenvolvimento, porém com baixo investimento nessas atividades em relação às melhores práticas internacionais.
Como consequência, grande parte das iniciativas de inovação estão centradas em melhorias de processos e ações com retorno rápido.
Os motivos podem estar relacionados ao custo de capital, bem como à visão estratégica sobre os benefícios para inovar. Todavia, a criação de uma agenda de futuro dependeria de uma melhor alocação de recursos, criação de novos produtos e modelos de negócios, pensando também na agenda de longo prazo.
* por Hugo Tadeu, professor associado da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - Inovação — Foto: 360° 2025
Os principais temas na agenda ESG das empresas TOP 30 são clima (para 73%), bem-estar dos colaboradores (60%) e diversidade (40%).
Em 2024 previmos que o “show me the money” ia ganhar mais relevância, e foi exatamente isso que aconteceu: investimentos em ESG têm de se pagar. Assim, 40% das TOP 30 investem mais que 4% da receita líquida em ESG, ante apenas 10% das demais.
Com isso, há vantagens significativas, como redução de custos acima de 10% da receita líquida para 6% das TOP 30, versus 2% das demais. E 43% das primeiras (12% das demais) obtêm mais de 10% da receita líquida a partir de produtos sustentáveis. Além disso, 57% das TOP 30 reduzem o custo de capital com ações ESG (como instrumentos do tipo títulos sustentáveis). Nas demais, só 23% conseguem.
Energia e água são insumos fundamentais no processo produtivo e blocos de custos importantes. Em energia, 75% das TOP 30 (versus 24% nas demais) têm metas energéticas atreladas aos bônus dos executivos e conseguiram reduzir o uso de energia em 47% ao longo dos últimos cinco anos (versus 35% das demais).
O tema da saúde mental se mostra significativo na gestão – 89% dos executivos das TOP 30 têm remuneração incentivada ligada ao bem-estar dos colaboradores, ante 32% das demais.
A agenda ESG se mostra dinâmica, com temas como saúde mental e clima em alta, e diversidade perdendo relevância. Os dados mostram que as TOP 30 entendem que é preciso ajustar a agenda ESG a novas demandas do mercado considerando o retorno financeiro para a empresa.
* por Heiko Spitzeck, professor da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - ESG / Socioambiental — Foto: 360° 2025
Conhecer o comportamento do consumidor e, principalmente, monitorar a evolução desse comportamento é fator crítico de sucesso para as empresas oferecerem as soluções mais adequadas. Nesse sentido, as TOP 30 utilizam intensamente estratégias de monitoramento do comportamento de consumo.
As principais estratégias de coleta de informações sobre comportamento de consumo das TOP 30 são: realização de grupos de foco e treinamento da equipe de vendas para coletar essas informações, que vêm crescendo ao longo dos anos.
Cresce a preferência das TOP 30 pela participação em eventos internacionais na apropriação de novas tecnologias e identificação de tendências. A internacionalização é fundamental no desenvolvimento de uma visão de futuro, uma vez que amplia as possibilidades e permite conhecer diferentes perspectivas.
* por Luciana Faluba, professora da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - Visão de Futuro — Foto: 360° 2025
Ainda que haja exemplos de empresas suavizando a agenda de diversidade, equidade e inclusão (DE&I), os resultados da pesquisa não explicitam um retrocesso ou uma redução nas práticas e nas temáticas. Também não houve um incremento significativo, talvez sinalizando uma certa estabilidade em relação aos programas da área.
Além disso, ainda que as TOP 30 tenham ampliado a oferta de treinamentos sobre a importância da inclusão de mulheres, bem como suas iniciativas para promoção de igualdade e justiça, as demais empresas não as acompanharam. Por exemplo, enquanto 97% das TOP 30 oferecem treinamentos, inclusive para líderes masculinos, sobre a importância da inclusão das mulheres, apenas 56% das demais empresas fazem o mesmo.
Mas, do ponto de vista das políticas voltadas para igualdade racial, é possível observar algum avanço. As TOP 30 ampliaram todas as suas políticas para igualdade racial, com exceção da presença de um canal anônimo preparado para receber denúncias contra racismo, mantido nos dois últimos anos. Ao mesmo tempo, chama a atenção a diferença de adoção dessas políticas entre as TOP 30 e as demais empresas: enquanto 67% das TOP 30 investem em consultorias e mudanças nos seus processos, políticas e treinamentos, apenas 28% das demais empresas seguem esse caminho.
Mais ainda, enquanto 83% das TOP 30 promovem orientação e treinamentos contra racismo para seus profissionais de RH, apenas 41% das demais oferecem tais treinamentos. Ações afirmativas raciais nos processos de seleção e promoção são adotadas por 40% das TOP 30, mais que o dobro das demais (18%).
Ainda vale destacar as ações adotadas em relação à aprendizagem contínua, ponto crucial diante das mudanças no trabalho e também das incertezas do ambiente macro. Entre as ações mais frequentes, 100% das TOP 30 e 74% das demais têm seu próprio sistema/plataforma de treinamento ou conteúdo à disposição dos funcionários.
* por Luciana Ferreira, professora da Fundação Dom Cabral
360° 2025 - O que as melhores fazem de diferente - Pessoas — Foto: 360° 2025
Análise


