Pesquisas científicas desenvolvidas pela Harvard contribuíram para o avanço de tratamentos, alternativas terapêuticas e soluções de suporte voltadas ao cuidado de doenças complexas em 2025 — Foto: Yuichiro Chino/Getty Images
O relatório Breakthroughs of 2025 (Avanços de 2025, em tradução livre), elaborado e publicado pela Universidade de Harvard aponta que cientistas e pesquisadores divulgaram milhares de estudos ao longo do ano. Essas pesquisas contribuíram para o avanço e a consolidação de soluções científicas, especialmente nas áreas de genética, inteligência artificial e tratamento de doenças.
Da aceleração no diagnóstico de doenças raras com o auxílio de inteligência artificial especializada ao desenvolvimento de adesivos inteligentes capazes de reduzir a vontade de consumir álcool e drogas, o ano de 2025 foi marcado por avanços significativos em diversos segmentos da saúde e da biotecnologia.
A seguir, confira alguns dos destaques que fizeram de 2025 um ano “extraordinário”, mesmo diante das incertezas relacionadas ao financiamento da pesquisa científica.
Representação de uma cadeia de DNA com uma área destacada indicando uma mutação — Foto: Josh Hawley/Getty Images
Batizado de popEVE, o novo modelo de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Harvard Medical School gera uma pontuação específica para cada variante do genoma de um indivíduo. Com base nesses dados, a tecnologia indica a probabilidade de cada variante estar associada ao desenvolvimento de uma doença.
Além disso, o popEVE é capaz de prever se as variantes são benignas ou malignas, auxiliando tanto na prevenção quanto na definição de estratégias de tratamento antecipado. Segundo os pesquisadores, o modelo conseguiu identificar mais de 100 novas alterações genéticas relacionadas a doenças raras previamente não diagnosticadas.
EndTB identificou três novas alternativas medicamentosas — Foto: Reprodução
De acordo com a Universidade de Harvard, um ensaio clínico denominado endTB identificou três novas alternativas medicamentosas eficazes no tratamento da tuberculose resistente à rifampicina, antibiótico de primeira linha mais utilizado no combate à doença.
Realizado em parceria entre a Harvard Medical School e outros integrantes do projeto endTB, uma colaboração que envolve a Partners In Health, a Médicos Sem Fronteiras e a Interactive Research and Development, o estudo apontou alternativas que utilizam medicamentos como bedaquilina e delamanida. Essas abordagens ampliam o arsenal terapêutico disponível e oferecem novas possibilidades para encurtar e personalizar o tratamento da doença.
Com o estresse controlado, a chance de uma recaída é menor, segundo pesquisadores — Foto: Freepik
Desenvolvidos a partir de uma parceria entre pesquisadores do Mass General Brigham e de Harvard, os adesivos inteligentes podem auxiliar no combate aos transtornos por uso de substâncias ao controlar o estresse associado à abstinência. A tecnologia também contribui para a redução do risco de recaída entre os pacientes.
Segundo o estudo, o controle do estresse é um fator essencial, já que ele pode desencadear desejos intensos, tornando a resistência ao uso de substâncias ainda mais desafiadora do que o próprio processo de abstinência. Os pesquisadores apontam que 64% dos participantes apresentaram menor probabilidade de consumir substâncias durante o período de uso do adesivo.
Desenvolvido pelo Move Lab, centro de pesquisa translacional liderado pelo diretor acadêmico Conor Walsh e pelo diretor executivo Paul Sabin, ambos de Harvard, o Reachable é um dispositivo robótico flexível e vestível que auxilia os movimentos do braço e do ombro de sobreviventes de AVC. Segundo os pesquisadores, a tecnologia promove maior independência nas atividades diárias desses indivíduos.
Vestido como um colete, o Reachable conta com sensores que ajustam a assistência de forma personalizada para cada paciente. Ao longo do uso, o equipamento acompanha o progresso do indivíduo e se adapta continuamente ao nível de suporte necessário.
Novo dispositivo pode ser acoplado a diferentes tipos de bandagens — Foto: Freepik
Um curativo inteligente batizado de a-Heal e desenvolvido por engenheiros da Universidade da Califórnia em Santa Cruz demonstrou ser capaz de acelerar a cicatrização de feridas em cerca de 25%, em comparação com métodos tradicionais.
O micro dispositivo, que pode ser acoplado a curativos de diferentes tamanhos, combina imagem contínua, algoritmos de aprendizado de máquina e bioeletrônica para adaptar o tratamento de forma personalizada. De acordo com os pesquisadores, o avanço impulsionado pelo material pode representar um marco no tratamento de feridas, especialmente as crônicas ou de difícil cicatrização.
O medicamento utilizado nas injeções, conhecido como cabotegravir (CAB-LA), representa uma alternativa ao uso diário de comprimidos de profilaxia pré-exposição — Foto: Pexels
O medicamento, conhecido como cabotegravir (CAB-LA), representa uma alternativa ao uso diário de comprimidos de profilaxia pré-exposição (PrEP), e deve beneficiar pessoas que enfrentam limitações médicas ou práticas para seguir o regime oral.
A recomendação consta em uma diretriz preliminar publicada pelo Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (Nice, na sigla em inglês), e marca uma nova fase na estratégia britânica de combate ao vírus. Diferentemente dos comprimidos diários tradicionalmente usados na prevenção do HIV, o cabotegravir será administrado por injeção a cada dois meses. O governo britânico aposta na medida para eliminar novas transmissões até 2030.
O tratamento envolveu uma única injeção através de uma membrana na base da cóclea, uma cavidade em forma de espiral cheia de fluido dentro do ouvido interno — Foto: Getty Images
Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, administraram terapia gênica a 10 pacientes entre 1 e 24 anos em cinco hospitais na China, todos com uma forma genética de surdez ou deficiência auditiva grave causada por mutações no OTOF, gene responsável pela produção da proteína Otoferlina, que desempenha um papel crítico na transmissão de sinais do ouvido para o cérebro.
O tratamento envolveu uma única injeção através de uma membrana na base da cóclea, uma cavidade em forma de espiral cheia de fluido dentro do ouvido interno. A injeção aplicou uma versão funcional do gene OTOF por meio de um vírus geneticamente modificado.
Um mês após o tratamento, a maioria dos pacientes recuperou parte da audição. Seis meses depois, todos os 10 mostraram uma considerável melhora auditiva, com o volume médio do som perceptível melhorando de 106 decibéis (muito alto) para 52 (muito mais fraco).
Kay Double, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Sydney que pesquisa mecanismos biológicos subjacentes ao Parkinson, lidera um novo estudo com o objetivo de encontrar maneiras de retardar ou até mesmo interromper a progressão da doença. Para isso, a equipe de pesquisa decidiu avaliar a eficácia de um medicamento chamado CuATSM, projetado para atravessar a barreira hematoencefálica e fornecer cobre diretamente ao tecido cerebral.
Os resultados mostraram que camundongos tratados com o placebo apresentaram deterioração em suas habilidades motoras. Em contraste, aqueles que receberam o suplemento de cobre não apresentaram alterações em seus movimentos.
Aparentemente, o tratamento corrigiu as disfunções da proteína SOD1, encontrada em pacientes com Parkinson, e restaurou suas propriedades protetoras. Nos camundongos que receberam o tratamento com cobre, os neurônios dopaminérgicos foram preservados em uma área do cérebro chamada substância negra, essencial para o controle do movimento, coordenação, aprendizagem e certas funções cognitivas.
Médicos realizam 1º transplante de córnea impressa em 3D do mundo e devolvem visão à paciente com cegueira — Foto: Freepik
Médicos da Unidade de Córnea do Instituto de Oftalmologia do Centro Médico Rambam, em Haifa, Israel, realizaram o primeiro transplante do mundo com uma córnea totalmente fabricada por impressão 3D. O material foi desenvolvido pela Precise Bio, empresa de medicina regenerativa focada em tecidos e órgãos bioimpressos.
O PB-001, implante de córnea bioimpresso em 3D, foi transplantado para um paciente com perda grave de visão no final de outubro. O procedimento, bem-sucedido, faz parte da fase 1 de testes clínicos em andamento na unidade israelense, que pretende envolver de 10 a 15 pacientes com edema corneano causado por disfunção endotelial.
A expectativa é que os resultados preliminares do estudo sejam divulgados no segundo semestre de 2026.
* Com supervisão de Marisa Adán Gil


