O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, iniciou a semana em ritmo forte e voltou a renovar marcas históricas. Nesta terça-feira (6), o índice avançou 1,11%, aos 163.663,88 pontos, alcançando o segundo maior nível de fechamento da história, atrás apenas do recorde registrado em 4 de dezembro de 2025.
O desempenho foi puxado principalmente pela Vale, que obteve uma valorização de 3,76% na sessão. O setor financeiro também ajudou a sustentar o movimento positivo, com destaque para Banco do Brasil, que avançou 1,10%, e Itaú, que fechou em alta de 0,60% (PN).
Na contramão do índice, as ações da Petrobras limitaram ganhos ainda mais expressivos do Ibovespa, fechando em queda de 1,92% (ON) e de 1,85% (PN), pressionados por questões operacionais na Margem Equatorial e pela queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais de Londres e Nova York.
Entre os destaques positivos do dia, Hapvida liderou os ganhos, com alta de 8,70%, seguida por Assaí, que avançou 5,62%. Do lado negativo, a Vivara figurou entre as maiores perdas, com recuo de 3,19%.
No câmbio, o dólar fechou em queda pelo 4° dia seguido, com uma desvalorização de 0,47% ante o real, cotado a R$ 5,38. Segundo operadores, o desempenho já era esperado, considerando que os primeiros pregões do ano são marcados por ajustes de posições e liquidez reduzida.
No cenário internacional, o mercado financeiro volta suas atenções nesta quarta-feira (7) para o relatório JOLTS de novembro e para a pesquisa ADP de dezembro. Os indicadores antecedem o payroll e são acompanhados de perto por investidores por ajudarem a ajustar as expectativas sobre o desempenho do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
A leitura de que o emprego dá sinais de perda de fôlego tem reforçado apostas de que o Federal Reserve pode iniciar o ciclo de cortes de juros a partir de março ou abril, mesmo com a expectativa de manutenção das taxas na reunião de janeiro.
Já no mercado de commodities, o petróleo tende a iniciar o dia em forte queda, após o presidente Donald Trump afirmar na noite anterior que a Venezuela deve fornecer entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado tem reagido com relativa indiferença à crise política no país e à transição de poder em curso na Venezuela.
No Brasil, a agenda econômica enxuta abriu espaço para o avanço do noticiário político. Em entrevista ao canal do influenciador Paulo Figueiredo no YouTube, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende anunciar antes das eleições o nome de seu futuro ministro da Economia.
A estratégia repete o movimento adotado por seu pai, que apresentou Paulo Guedes ainda durante a campanha presidencial. Flávio disse já ter um nome definido para o cargo, mas preferiu não antecipar a escolha.
O mercado também acompanha o avanço para o acordo entre o bloco europeu e parceiros comerciais, cuja assinatura está prevista para a próxima segunda-feira (12).
Às vésperas do desfecho, a Comissão Europeia contornou a resistência da Itália e propôs antecipar o acesso de agricultores a cerca de 45 bilhões de euros. A iniciativa foi bem recebida pelos italianos. No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o acordo está bem encaminhado.
Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.As Bolsas da Europa operam sem direção única nesta quarta-feira, à espera dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
A condição do emprego tem sido um fator-chave para o Federal Reserve, que em 2025 passou a cortar os juros com foco em sustentar um mercado de trabalho mais fraco, mesmo diante de sinais de inflação ainda persistentes.
Na Ásia, os índices encerraram a sessão desta quarta-feira sem direção única, interrompendo dois dias consecutivos de alta após o rali recente das ações de empresas do setor de defesa.
Tóquio recuou 0,99% e Hong Kong caiu 0,94%, enquanto o Kospi, na Coreia do Sul, avançou 0,57%. Em Taiwan, o Taiex registrou queda de 0,46%. Já na China, os mercados ficaram próximos da estabilidade, com leves altas em Xangai (0,05%) e Shenzhen (0,06%).
Em Nova York, os índices futuros operam próximos da estabilidade após os índices americanos renovarem recordes na sessão anterior, enquanto investidores aguardam a divulgação dos dados de vagas de emprego e rotatividade (JOLTS) e do relatório de emprego do setor privado da ADP.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, a agenda desta quarta-feira é dominada por indicadores do mercado de trabalho, que podem mexer com as expectativas para a política monetária. Às 12h, será divulgado o relatório JOLTS, que mede o número de vagas em aberto. A projeção é de recuo em novembro, de 7,67 milhões para 7,60 milhões de postos.
Mais cedo, às 10h15, o mercado acompanha o relatório ADP, que traz a estimativa de criação de empregos no setor privado. Os dados antecedem o payroll de sexta-feira (9) e são usados como termômetro para calibrar apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Além desses indicadores, investidores monitoram as falas da dirigente do Fed, Michelle Bowman, que participa de um evento às 18h10, em busca de sinais sobre o rumo dos juros.
Outro destaque do dia é o índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços dos EUA, previsto para o meio-dia. Após surpreender positivamente em novembro, quando subiu para 52,6 pontos, o consenso aponta para uma leve desaceleração em dezembro, para 52,2.
Na Europa, a inflação volta ao centro das atenções. Dados preliminares da Eurostat mostram que o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro recuou 0,1% em dezembro na comparação mensal.
Em 12 meses, a inflação deve ficar em 2%, abaixo dos 2,1% registrados em novembro, segundo as estimativas do mercado.
No Brasil, a agenda econômica segue esvaziada nesta quarta-feira, com o mercado à espera do IPCA, que será divulgado na sexta-feira. No curto prazo, o principal dado do dia é o fluxo cambial semanal, acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre a entrada e saída de dólares no país.
As atenções também se voltam para os desdobramentos do caso Master. O Banco Central (BC) recorreu da decisão monocrática do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, que determinou a abertura de uma inspeção para exame de documentos. Em sua defesa, a autoridade monetária argumenta que medidas desse tipo devem ser tomadas de forma colegiada, e não de maneira individual.
Ao longo da semana, Jhonatan de Jesus chegou a sinalizar que poderia impedir o BC de vender ativos do Master no processo de liquidação do banco, levantando questionamentos sobre uma possível extrapolação das atribuições do TCU.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor, Daniel Vorcaro não solicitou ao TCU a reversão da liquidação do Master, mas pediu que o tribunal acompanhe a venda dos ativos para evitar que sejam negociados a valores considerados excessivamente baixos.
O tema ganhou ainda mais repercussão com a manchete do Estadão desta quarta-feira, que aponta o Banco Central como alvo de ataques coordenados nas redes sociais por sua atuação no caso.
De acordo com a reportagem, pouco antes da virada do ano, perfis de influencers conhecidos por promover celebridades teriam sido mobilizados para desgastar a imagem e a credibilidade de instituições como o BC e a Febraban no processo de liquidação.
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