A China definiu a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos a países que negociem com o Irã como uma medida de “coerção”. Pequim tem laços comerciais com o país persa e será afetado pela decisão da Casa Branca.
Segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China, as transações entre a China e o Irã somaram US$ 9,3 bilhões de janeiro a novembro do ano passado. Um dos principais produtos comercializados entre os países é o petróleo iraniano.
Em seu perfil no X, o porta-voz da Embaixada da China nos EUA, Liu Pengyu, escreveu que a medida norte-americana não resolverá os problemas no Irã e que a China “tomará todas as medidas necessárias” para defender seus interesses.
Eis a íntegra da mensagem:
“A posição da China contra a imposição indiscriminada de tarifas é consistente e clara.
“Guerras tarifárias e guerras comerciais não têm vencedores, e coerção e pressão não resolvem problemas. O protecionismo prejudica os interesses de todas as partes.
“A China se opõe firmemente a quaisquer sanções unilaterais ilícitas e jurisdição extraterritorial, e tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos.”
Durante entrevista a jornalistas concedida pelo Ministério das Relações Exteriores nesta 3ª feira (13.jan.2026), o tom foi o mesmo. A porta-voz, Mao Ning, disse que Pequim protegerá seus interesses no Irã.
É a mesma resposta que a China dava antes de anunciar retaliações contra os EUA no auge da guerra comercial no ano passado.
O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), voltou a utilizar as tarifas como um instrumento geopolítico pela 1ª vez em 2026 ao determinar na 2ª feira (12.jan) a imposição de uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais com os EUA realizadas por países que mantêm relações comerciais com o Irã.
A declaração de Trump foi feita após uma série de tensões e declarações públicas entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, motivadas por protestos contra o regime iraniano.
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):


