As medidas foram anunciadas em meio a protestos contra o governo iraniano que, segundo entidades de direitos humanos, já deixaram mais de 600 manifestantes As medidas foram anunciadas em meio a protestos contra o governo iraniano que, segundo entidades de direitos humanos, já deixaram mais de 600 manifestantes

Trump foi informado sobre ampla gama de opções militares que EUA podem usar contra o Irã, afirmam fontes

2026/01/13 22:16
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As medidas foram anunciadas em meio a protestos contra o governo iraniano que, segundo entidades de direitos humanos, já deixaram mais de 600 manifestantes mortos em três semanas — Foto: BBC News fonte As medidas foram anunciadas em meio a protestos contra o governo iraniano que, segundo entidades de direitos humanos, já deixaram mais de 600 manifestantes mortos em três semanas — Foto: BBC News fonte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi informado sobre uma ampla gama de dispositivos militares e ações secretas para possível uso no Irã, disseram dois funcionários do Departamento de Defesa dos EUA à CBS News, parceira americana da BBC.

Ataques com mísseis de longo alcance seguem como uma opção para uma eventual intervenção dos EUA, mas autoridades do Pentágono (como é conhecido o Departamento de Defesa americano) também apresentaram a Trump alternativas como operações cibernéticas e campanhas psicológicas, segundo as fontes.

Nesta segunda-feira (12/01), Trump decidiu adotar medidas econômicas contra o Irã e anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre os produtos de países que mantêm relações comerciais com o Irã.

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As medidas foram anunciadas em meio a protestos contra o governo iraniano que, segundo entidades de direitos humanos, já deixaram mais de 600 manifestantes mortos em três semanas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo de seu país está aberto a negociações com o governo americano, mas permanece "preparado para a guerra".

Segundo fontes ligadas ao governo americano, a equipe de segurança nacional de Trump deve se reunir na Casa Branca na terça-feira (13/01) para discutir opções em relação ao Irã, embora ainda não esteja claro se o próprio Trump participará dessa reunião.

Trump declarou anteriormente que os militares dos EUA avaliavam "opções muito fortes" para intervir caso mais manifestantes fossem mortos. Disse ainda que líderes iranianos haviam ligado "para negociar", mas acrescentou que os EUA "podem ter de agir antes de uma reunião" entre os dois países.

A frustração com o colapso da moeda iraniana e uma má condução da economia tem ganhado força no Irã e se transformou em uma crise de legitimidade para o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Na segunda-feira (12/01), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que um integrante do governo iraniano também entrou em contato com Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e acrescentou que a posição pública do governo iraniano é "bem [diferente] das mensagens que o governo [dos EUA] tem recebido de forma reservada".

No entanto, Leavitt advertiu que o presidente dos EUA "não tem receio de recorrer a opções militares, se e quando considerar necessário".

As duas fontes, que pediram anonimato para tratar de assuntos de segurança nacional com a CBS News, disseram que uma eventual operação militar dos EUA no Irã pode envolver o uso de poderio aéreo, mas que os planejadores militares também avaliam medidas para desarticular as estruturas de comando e as comunicações iranianas.

Os EUA orientaram os cidadãos americanos no Irã a deixar o país ou a ter um plano para sair sem depender de assistência do governo dos EUA.

Como Trump vai responder à repressão contra o Irã? — Foto: BBC News fonte Como Trump vai responder à repressão contra o Irã? — Foto: BBC News fonte

Khamenei acusou os EUA de "enganar" e de recorrer a "mercenários traiçoeiros", ao mesmo tempo em que elogiou manifestações pró-governo organizadas pelo Estado iraniano e realizadas no país na segunda-feira (12/01).

O líder supremo do Irã afirmou que a "nação iraniana é poderosa, está consciente, conhece seus inimigos e está presente em todos os cenários".

A mídia estatal do Irã informou que grandes multidões se reuniram em várias cidades após convocações para atos pró-governo. A BBC Persian (serviço em persa da BBC) teve acesso a mensagens de texto que convidavam pessoas no país a participar dessas manifestações e, ao mesmo tempo, as alertavam a não aderir a protestos contra o governo.

Os EUA devem intervir "mais cedo" para conter as mortes nos protestos no Irã, afirma Reza Pahlavi — Foto: BBC News fonte Os EUA devem intervir "mais cedo" para conter as mortes nos protestos no Irã, afirma Reza Pahlavi — Foto: BBC News fonte

Tarifas e sanções econômicas

Na última segunda-feira (12/01), Trump disse na plataforma Truth Social que imporia uma tarifa de 25% sobre produtos de países que "fazem negócios" com Teerã, sem dar mais detalhes.

"Essa ordem é final e definitiva", acrescentou Trump.

O Irã, já submetido a duras sanções dos EUA, enfrenta o colapso de sua moeda e uma inflação que elevou os preços dos alimentos em até 70%. Os alimentos respondem por cerca de um terço das importações iranianas, e novas restrições, decorrentes das tarifas, podem agravar a escassez e a crise do custo de vida.

A Casa Branca não divulgou informações adicionais sobre as tarifas citadas por Trump. A China é o maior parceiro comercial do Irã, seguida por Iraque, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia.

A medida pode aumentar a pressão sobre o Irã, num momento em que o governo iraniano intensifica a repressão a manifestações contra o regime.

Enquanto isso, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e exilado nos EUA, pediu que Trump intervenha "o quanto antes" para limitar o número de mortes entre os manifestantes.

Em entrevista à CBS News, Pahlavi afirmou que o atual governo iraniano está "tentando enganar o mundo, fazendo parecer que está pronto para negociar mais uma vez".

Ele descreveu Trump como "um homem que diz o que pensa e faz o que promete" e que "sabe o que está em jogo".

"Acho que o presidente terá de tomar uma decisão em breve", disse Pahlavi.

Ao menos 648 manifestantes foram mortos no Irã, incluindo nove menores de 18 anos, segundo a organização Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega. Fontes dentro do país disseram à BBC que o número de mortos pode ser muito maior.

A BBC e a maioria das outras organizações internacionais de notícias não conseguem reportar de dentro do Irã. Um amplo bloqueio da internet em vigor desde a noite de quinta-feira (08/01) dificulta a obtenção e a verificação de informações.

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