A Gol está usando inteligência artificial em diferentes áreas, a partir de parcerias com startups — Foto: Ricardo Padovese/Divulgação
A Gol encontrou uma maneira original de implementar a inteligência artificial dentro da empresa. Por meio de parcerias com startups de IA e empresas de tecnologia, a companhia aérea resolve problemas específicos de cada setor, de maneira focada e precisa. “Isso garante que a tecnologia só seja usada quando for realmente necessária, e da maneira correta”, diz Luiz Borrego, CIO da Gol.
Coordenar esse processo de adoção é uma das funções do GolLabs, o laboratório de inovação e tecnologia da empresa fundado em 2018, que nos últimos anos passou a focar em IA. Funciona assim: o time do GolLabs vai conversar com diferentes áreas do negócio para entender quais são os principais problemas. Depois, decide se a melhor alternativa para resolver é a IA ou alguma outra tecnologia.
“Caso a resposta seja a inteligência artificial, o laboratório lança um desafio para diferentes startups de IA”, diz o CIO. Já com as respostas na mão, o time da GolLabs escolhe a resposta que mais se encaixa e chama a startup para ajudar a desenvolver aquela solução específica.
Luiz Borrego, CIO da Gol — Foto: Divulgação
Para que todo o processo funcione, é preciso que os times de diferentes áreas tenham domínio sobre a tecnologia. Por essa razão, a Gol decidiu realizar workshops de capacitação de IA no ano passado. “Começamos pela equipe de tecnologia, depois fomos para os CEO, os executivos C-Level, os diretores e, por fim, todos os funcionários”, diz Borrego.
Além disso, foram disponibilizadas versões corporativas de modelos de linguagem para os funcionários. “Hoje temos versões liberadas do Copilot, da Microsoft, para toda a equipe. Assim fica mais fácil para os colaboradores identificarem oportunidades para automatizar tarefas com o uso da IA”, afirma o executivo.
“A vantagem de trabalhar com o GOLLabs é que a equipe tem liberdade para testar novas tecnologias e errar”, diz Borrego. “Existem exemplos de projetos que a gente testou e que não funcionaram. Mas isso não impediu que seguíssemos buscando uma solução.”
Ele cita como exemplo o uso de IA no atendimento do call center. Ao automatizar parte das respostas, o objetivo era ter uma redução de custo de 30% a 50%. “Conseguimos fazer o atendimento funcionar bem na terceira tentativa. Mas o custo da tecnologia ficou mais alto do que a redução de custos, então o projeto ficou inviável”, diz o executivo. Segundo ele, uma quarta tentativa será feita em 2026.
Entre os cases que deram certo, está o da área de manutenção de aeronaves. “Nós fazemos manutenções todos os dias, com níveis diferentes de dificuldade. São atividades que levam tempo e demandam que a aeronave fique no solo. Então chamamos uma startup para automatizar parte do processo”, diz o CIO.
Com a ajuda da IA, foi possível realizar diagnósticos mais rápidos, conseguir informações mais precisas e alcançar uma integração mais fluida entre as equipes. Como resultado, o tempo que as aeronaves ficam no solo foi reduzido em 3%. “Essa abordagem reforça o compromisso da companhia com a segurança e a pontualidade, além de melhorar a eficiência operacional”, afirma Borrego.
Outro exemplo bem-sucedido foi a otimização da gestão operacional com o uso de ferramentas de produtividade, por meio de uma parceria com uma empresa de IA - nesse caso, não foi uma startup, mas a gigante Microsoft.
Consolidar e distribuir para toda a empresa informações geradas por diferentes departamentos era algo extremamente demorado. “O processo era manual, por isso eram necessárias muitas horas para a elaboração e disseminação dos dados - além de entrevistas extras para complementação do material”, diz o CIO.
Em 45 dias, a equipe conquistou uma redução de 89% no tempo dedicado à tarefa, maior padronização na comunicação entre as áreas e liberação de tempo para atividades estratégicas. “Foi um grande ganho para a empresa”, afirma Borrego.
A área de governança e compliance também aumentou sua eficiência ao aplicar IA na investigação e análise de dados, um processo crítico para segurança e governança corporativa. “Com essa ferramenta, o tempo médio de avaliação de um caso caiu de 2 horas e 30 minutos para apenas 30 minutos”, diz o executivo.
Em 2026, a Gol pretende continuar em sua jornada para estimular os times a usarem IA, descobrir quais problemas a tecnologia resolve e estabelecer boas parcerias. “Só assim vamos conseguir grandes cases”, afirma Borrego.
Banner da Série IA na Prática — Foto: Clayton Rodrigues


