Uma parcela significativa dos alunos apresenta dificuldades básicas em conteúdos elementares de sua formação Antônio Cruz/Agência Brasil Os principais indi Uma parcela significativa dos alunos apresenta dificuldades básicas em conteúdos elementares de sua formação Antônio Cruz/Agência Brasil Os principais indi

Se quisermos crescer, é preciso repensar a educação brasileira

2026/02/05 17:00
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Uma parcela significativa dos alunos apresenta dificuldades básicas em conteúdos elementares de sua formação — Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil Uma parcela significativa dos alunos apresenta dificuldades básicas em conteúdos elementares de sua formação — Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Os principais indicadores da educação brasileira demandam atenção especial dos gestores públicos responsáveis pelas políticas e planos nacionais, bem como de todos os envolvidos na oferta de conhecimento no país, isto é, pais, alunos, professores e dirigentes educacionais. Sugere-se que o principal gargalo não esteja necessariamente na quantidade de recursos investidos, mas, sobretudo, na busca por ganhos de qualidade nos processos educacionais vigentes e em seus resultados.

Ao analisar os indicadores da educação fundamental e média, observa-se que os resultados relacionados à proficiência em matemática e língua portuguesa são desafiadores. Uma parcela significativa dos alunos apresenta dificuldades básicas em conteúdos elementares de sua formação. Soma-se a isso o fato de que o teste internacional PISA, utilizado como instrumento de comparação entre o Brasil e outros países, evidencia uma expressiva distância em relação às nações desenvolvidas. Torna-se, portanto, imprescindível repensar o modelo educacional vigente, com o objetivo de aproximar os estudantes brasileiros dos melhores padrões internacionais.

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Não há dúvidas quanto à existência de ilhas de excelência em território nacional. Entretanto, elas se concentram, em sua maioria, em poucas escolas públicas e privadas, nas quais se observa acesso a currículos mais robustos, professores qualificados e melhores recursos para uma formação de alto nível, o que torna o ingresso nas melhores universidades uma consequência natural. O desenvolvimento educacional em escala nacional, contudo, exige uma análise aprofundada da qualidade das escolas de forma geral, considerando aspectos como infraestrutura adequada, docentes em regime de tempo integral, currículos atualizados, adoção equilibrada de tecnologias, gestão comprometida com boas práticas e processos contínuos de avaliação dos alunos.

No ensino superior, os desafios também são relevantes. A expansão do número de vagas e de instituições ao longo dos últimos anos trouxe à tona dificuldades relacionadas à qualidade da formação, refletidas em indicadores como o IGC (Índice Geral de Cursos). Em grande medida, as universidades públicas e privadas com melhor desempenho continuam sendo aquelas que recebem estudantes com sólida formação no ensino fundamental e médio, oriundos de escolas de maior qualidade.

Além disso, essas instituições de excelência dispõem de infraestrutura adequada para o ensino, espaços apropriados para o compartilhamento do conhecimento, bibliotecas com acervos relevantes, professores bem qualificados e acesso à pesquisa básica, viabilizado tanto por recursos próprios quanto por mecanismos de fomento. Soma-se a esses fatores o fato de que tais universidades estão, em geral, localizadas em grandes centros urbanos e mantêm forte articulação com os setores produtivos.

Quando se observam os indicadores das melhores universidades internacionais, a partir de rankings e estudos como os do Times Higher Education, percebe-se que o caminho a ser percorrido pelo Brasil ainda é extenso. Em contextos educacionais da América do Norte e da Europa, os alunos dedicam mais tempo às atividades acadêmicas, são submetidos a avaliações contínuas, recebem estímulos constantes à pesquisa, têm acesso a experiências práticas em ambientes próximos ao mercado de trabalho, contam com professores em regime integral e dispõem de ampla oferta de recursos públicos e privados voltados à produção de conhecimento.

A qualidade média da mão de obra é um dos principais determinantes do crescimento da produtividade de uma nação, estando diretamente associada a uma formação educacional de alto nível e ao papel estratégico das escolas em todas as suas dimensões. No contexto brasileiro, o próximo ciclo de crescimento sustentável deveria estar fortemente ancorado nesse tema. Assim, uma reflexão profunda sobre as escolhas atuais e os caminhos futuros do país passa, de forma inevitável, pelo fortalecimento de uma educação de qualidade.

* Hugo Ferreira Braga Tadeu é diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC). Coordenador de estudos em parceria com o World Economic Forum (WEF), IMD, Meta e PwC

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