O BTG Pactual realizou uma única alteração na Carteira Recomendada 10SIM (10 melhores ações) para março de 2026. Nesta segunda-feira (2), foi adicionada Motiva (MOTV3), substituindo a RD Saúde (RADL3).
As alterações foram feitas pela equipe do banco após o conflito no Irã elevar a incerteza geopolítica e reforçar a volatilidade no mercado internacional de commodities. Diante desse cenário, foram mantidos papéis expostos à produção de ouro e de petróleo.
A carteira deste mês contém as seguintes empresas:
A principal alteração foi a inclusão da Motiva (MOTV3). Segundo o relatório, a companhia simplificou seu portfólio ao longo de 2025 e está posicionada para capturar novos projetos e realizar reciclagem de capital, estratégia que consiste na venda de ativos maduros para financiar novos investimentos.
O BTG Pactual estima que a ação negocie a uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 11%. Com a entrada da Motiva, a exposição a empresas com geração de caixa de longo prazo subiu para 25% da carteira.
Para abrir espaço, o banco retirou a RD Saúde (RADL3). Apesar de manter avaliação positiva, o banco destaca que o papel negocia a cerca de 28 vezes o lucro estimado para 2026, múltiplo considerado elevado após a valorização recente.
No setor financeiro, houve redução da participação do Nubank (ROXO34) de 15% para 10%, após resultados abaixo das expectativas. A carteira continua com exposição relevante ao segmento por meio do Itaú (ITUB4) e da STONE (STOC34).
Também houve aumento da exposição ao setor de serviços básicos, de 20% para 25%. A participação na Axia Energia (AXIA3) foi elevada para 15%, enquanto a posição na Eneva (ENEV3) foi mantida. No consumo, permanece a alocação na operadora de shoppings Allos (ALOS3).
Em fevereiro, a Carteira Recomendada 10SIM teve alta de 2,8%, ficando abaixo do Ibovespa (+4,1%) e do índice IBrX-50 (+4,3%).
Em 2026, o portfólio acumula alta de 12,8%, mantendo desempenho inferior ao principal índice da Bolsa brasileira (+17,2%) e do IBrX-50 (+18%). A taxa do CDI subiu 2,2% no período.
Desde a gestão iniciada por Carlos E. Sequeira em 2009, a carteira registra um ganho acumulado de 647,7%, superando a valorização do Ibovespa (+206,9%) e do IBrX-50 (+267%). Veja abaixo:
A Bolsa brasileira terminou fevereiro com alta de 4,1%, acumulando valorização de 17,2% em 2026. Em dólares, o avanço no ano chega a 25,1%. O principal fator por trás do movimento foi o fluxo de investidores estrangeiros para a B3. No ano, o saldo já soma R$ 41,6 bilhões.
Na comparação com mercados da América Latina, o desempenho brasileiro superou a maioria dos pares e também o índice americano S&P 500.
O movimento ocorre em meio a forte entrada de recursos em fundos globais de mercados emergentes. Em fevereiro, esses fundos receberam US$ 25,1 bilhões. No ano, o fluxo já atinge US$ 53,6 bilhões, volume superior ao registrado em anos completos desde 2017.
Os fundos internacionais de mercados emergentes elevaram a participação em ações brasileiras para 6,9% no fim de janeiro, alta de 1,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao fim de 2024. Segundo os dados, esses investidores estão entre 2 e 2,5 p.p. acima da alocação considerada neutra para o Brasil.
Enquanto o capital estrangeiro avança, os fundos de ações locais registraram resgates de R$ 5,2 bilhões em fevereiro, acima dos R$ 2,3 bilhões de janeiro.
Para justificar o Ibovespa próximo de 190 mil pontos com P/L (Preço/Lucro) ao redor de 12 vezes, seria necessário crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 3% e taxa real de juros de longo prazo em torno de 5,2%. Atualmente, o potencial de crescimento é estimado em 2%, e os juros reais estão em 7,3%.
Por outro lado, em momentos anteriores, o mercado brasileiro já negociou a cerca de 14 vezes lucro. Nesse cenário, o índice poderia alcançar 237 mil pontos, o que implicaria potencial adicional de aproximadamente 25%.
Empresas voltadas ao mercado interno negociam a 11,3 vezes lucro projetado, abaixo da média histórica de 12,9 vezes. O desconto implícito indica potencial de valorização de cerca de 14%.
Varejistas estão sendo negociadas a cerca de 12 vezes lucro, contra histórico entre 15 e 16 vezes. Construtoras também operam abaixo da média, mesmo após recuperação recente.
As Small Caps — empresas de menor valor de mercado — apresentam P/L projetado de 10,2 vezes, contra média histórica de 14,8 vezes. O desconto em relação à média indica potencial de até 45%.
O cenário eleitoral também influencia expectativas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve buscar a reeleição com apoio de partidos de esquerda. O senador Flávio Bolsonaro surge como principal nome da oposição. Pesquisas recentes apontam cenário de empate técnico em eventual segundo turno.
Outros nomes cotados incluem governadores como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Governadores interessados precisam deixar os cargos até 4 de abril para concorrer, o que deve trazer maior definição sobre o cenário.
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