Como as empresas morrem? E que sentido se expressa nesse momento? Getty Images Ao ler o livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, de Ana Claudia Quin Como as empresas morrem? E que sentido se expressa nesse momento? Getty Images Ao ler o livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, de Ana Claudia Quin

O propósito da empresa se revela no momento da sua morte

2026/03/04 01:55
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Como as empresas morrem? E que sentido se expressa nesse momento? — Foto: Getty Images Como as empresas morrem? E que sentido se expressa nesse momento? — Foto: Getty Images

Ao ler o livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, de Ana Claudia Quintana Arantes, não consegui deixar de pensar: o propósito de uma empresa se revela no momento da sua morte.

Ninguém gosta de falar sobre morte. No campo da gestão, o interesse está na longevidade. O que faz uma organização se tornar centenária? Como garantir sua perpetuidade? Nessa obsessão pela longevidade, esconde-se o medo da morte organizacional.

As pesquisas deixam claro que a chave da longevidade está na capacidade de adaptação às mudanças no mercado, às novas tecnologias e às preferências da sociedade, e também na habilidade de transformar esses sinais em inovação relevante. É por isso que, na Fundação Dom Cabral, apoiamos empresas para que permaneçam relevantes e contribuam para a construção de futuros positivos.

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Mas nem todas conseguem. Em seu livro, Ana Claudia escreve: “As pessoas morrem como viveram. Se nunca viveram com sentido, dificilmente terão chance de viver a morte com sentido”. Isso também vale para as organizações. Como as empresas morrem? E que sentido se expressa nesse momento?

Dados indicam que empresas estabelecidas no Brasil vivem, em média, cerca de 35 anos. Mas esse tempo de duração vem diminuindo. Segundo um estudo da PwC de 2024, 41% dos CEOs brasileiros acreditam que suas empresas não sobreviverão aos próximos dez anos se não ajustarem seus modelos de negócio às mudanças tecnológicas, às preferências dos consumidores e à instabilidade das cadeias de valor.

As formas de morte variam: fusões e aquisições, falências, liquidações, privatizações. Mas as causas são recorrentes: desalinhamento com as transformações da sociedade, incapacidade de aprender, imprudência financeira, falhas de governança. E vamos combinar, há empresas que precisam morrer.

A economia depende da morte de empresas para se renovar. Sem destruição criativa, não há progresso. Mas, se queremos uma economia mais humana e sustentável, surgem perguntas desconfortáveis. As empresas que morrem são as certas? Há empresas que deveriam morrer, mas continuam vivas?

Os dados sobre mortalidade empresarial dizem pouco sobre isso. O mercado elimina empresas fracas, mas não necessariamente elimina empresas ilegítimas.

Voltando ao campo humano, Mario Sergio Cortella afirma: “Morrer é ser esquecido”. E complementa: “Quando alguém se lembra de você, desamarra a lágrima de saudade, cheira a roupa que você deixou... você continua vivo”. Ana Claudia reforça: “A vida é breve e precisa de valor, sentido e significado”. De novo, isso vale para empresas também.

Na Fundação Dom Cabral, desenvolvemos estudos de caso para formar a nova geração de líderes. Para isso, buscamos histórias que mereçam ser contadas, de organizações que criaram valor e prosperidade para além do lucro. Empresas cuja ausência deixaria um vazio real. Empresas pelas quais stakeholders chorariam.

Mas também há mortes celebradas. Casos em que a sociedade respira aliviada quando a empresa deixa de existir, porque destruiu confiança, privatizou ganhos e socializou perdas. Enron, WorldCom, Lehman Brothers tornaram-se símbolos desse tipo de fim.

O paradoxo é evidente: ainda hoje sobrevivem empresas envolvidas em fraudes contábeis, esquemas de corrupção, manipulação de mercados e graves falhas de segurança. O mercado elimina empresas ineficientes, mas não necessariamente as imorais.

A questão, então, deixa de ser “Quais empresas devem morrer?” e passa a ser “Estamos matando as empresas certas?” A longevidade organizacional não é um direito. É uma conquista e, talvez, um teste moral. Deixo duas perguntas para reflexão para você e sua organização. Nosso lucro vem da criação genuína de valor ou da externalização de danos? Se a nossa empresa morresse amanhã, quem realmente sentiria falta dela?

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