O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano pela segunda reunião consecutiva. O resultado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi divulgado na tarde desta “superquarta” (18).
A decisão não foi unânime. Stephen Miran (indicado por Donald Trump) votou a favor de corte nos juros em 0,25 ponto percentual (p.p.).
Essa é o décimo encontro desde a posse de Trump. Ao todo, o banco central norte-americano manteve a taxa sete vezes e realizou apenas três cortes.
Em relatório, os dirigentes apontaram que a economia continua em expansão consistente. O mercado de trabalho, no entanto, apresentou menor geração de vagas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu praticamente estável nos últimos meses.
Também foi citado como “fator de risco” os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, cujos impactos ainda são considerados incertos.
Para Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, o Fed já havia sinalizado a manutenção dos juros mesmo antes do agravamento da questão geopolítica no Oriente Médio e seus efeitos no preço do petróleo.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que o principal fator a trajetória dos juros continua sendo a inflação e, neste momento, ela está diretamente condicionada à duração e à intensidade do conflito envolvendo Irã, Israel e EUA.
Depois do comunicado, as bolsas de Nova York ampliaram queda após decisão do Fed. Às 16h (horário de Brasília), o Dow Jones recua 1,40%, S&P 500 registra queda de 1,05% e Nasdaq opera em baixa de 0,60%.
No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, reduziu alta para 0,25%, aos 180.864,90 pontos. O dólar à vista avança 0,52%, a R$ 5,22.
Na abertura do mercado, às 11h10 (horário de brasília), 98,9% dos analistas apostavam na manutenção da taxa de juros dos EUA, segundo o monitoramento FedWatch, do CME Group (imagem abaixo).
Para a próxima reunião, que acontecerá em 29 de abril, as apostas também são de manutenção (96,9%), enquanto 2% enxergam a possibilidade de corte, para 3,25% e 3,5%, e 1% vê chance de aumento, para 3,75% e 4%.
Após os efeitos da pandemia de Covid-19 e da Guerra da Rússia contra a Ucrânia, a inflação nos Estados Unidos registrou um forte aumento, atingindo em 2022 o patamar mais elevado em 40 anos, com taxa de 9,1%.
Para conter o avanço dos preços, a taxa básica de juros foi utilizada com o objetivo de reduzir o ritmo da atividade econômica e, consequentemente, aliviar as pressões inflacionárias. Diante desse cenário, o ciclo de alta dos juros foi intensificado no país.
Em maio de 2023, após uma sequência de dez aumentos, o Fed sinalizou ter atingido um nível considerado adequado, fixando a taxa na faixa entre 5,25% e 5,5% ao ano. O processo de flexibilização monetária teve início apenas em setembro de 2024, quando foi realizado o primeiro corte desde 2020.
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