Os bancos são o segmento mais avançado na integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) no mercado financeiro brasileiro. Essa posição é sustentada por exigências regulatórias, políticas formais e obrigações de reporte, conforme mostra a quarta edição da pesquisa Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais 2025, realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha.
Segundo o estudo, 52% dos bancos estão posicionados nos perfis emergente e engajado de maturidade ESG, proporção superior à observada entre gestoras de recursos e outros participantes do setor financeiro.
O levantamento analisa como 206 instituições financeiras incorporam critérios ESG em suas estruturas, políticas e decisões de investimento, além da relevância da sustentabilidade para essas instituições, estabelecendo os resultados por perfis de maturidade.
Os resultados indicam que a sustentabilidade permanece como tema estratégico, mas com ritmos distintos de evolução conforme o tipo, o porte e o arcabouço regulatório de cada instituição.
O estudo classifica as instituições em cinco perfis de maturidade, com base em percepções, estrutura e práticas, independentemente do porte ou do segmento.
O perfil desconfiado, que percebe o ESG como ameaça ou obstáculo, representa 7% da amostra. O distante, que associa sustentabilidade apenas a questões ambientais, soma 38%. O iniciado, em fase de estruturação, responde por 16%.
O emergente, com entendimento mais amplo e desenvolvimento dos principais pilares, representa 28%. Já o engajado, no qual o ESG está integrado à estratégia, aos produtos e à cultura, corresponde a 11%.
Em relação a 2021, o perfil engajado avançou de 7% para 11%, enquanto o desconfiado passou de 4% para 7%.
Segundo estudo da Anbima, a liderança dos bancos está associada, em parte, às exigências normativas. Além de cumprir a Resolução 4.945 do Conselho Monetário Nacional 9CMN), que trata da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA), as instituições bancárias devem publicar anualmente o Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (GRSAC), conforme a Resolução 139 do Banco Central (BC).
Esse contexto regulatório conduz para uma maior formalização de políticas, com publicação de relatórios ESG e integração do tema à governança.
Entre os bancos, 83% elaboram e divulgam relatórios ESG regularmente, percentual que é considerado bem acima do observado nas gestoras de recursos, onde apenas 20% adotam essa prática.
Também é entre os bancos que a adoção de critérios ESG na cadeia de fornecedores é mais difundida: 70% deles afirmam utilizar esses parâmetros na seleção de parceiros.
Diferentemente dos bancos, as gestoras de recursos não estão sujeitas às mesmas exigências regulatórias em sustentabilidade. Por isso, seus avanços dependem principalmente de decisões voluntárias, como adesão à autorregulação, ou de pressões de mercado.
Ainda assim, houve progresso. O perfil emergente entre as gestoras cresceu de 22% para 24%, e o engajado quase dobrou, de 6% para 11%, entre 2021 e 2025. Mesmo assim, 51% das assets ainda se concentram nos perfis desconfiado e distante.
O tamanho das instituições influencia o grau de maturidade. Entre as casas com patrimônio acima de R$ 50 bilhões, praticamente todas estão nos perfis emergente ou engajado. Já aquelas com equipes de até 10 pessoas se concentram entre desconfiado e distante, com 59%.
Entre as gestoras, 78% consideram fatores ESG na tomada de decisão de investimento, percentual que segue elevado, mas recuou 6 pontos em relação a 2021. Segundo a pesquisa, o dado pode refletir um processo de consolidação do tema ou redefinição de prioridades.
O percentual de gestoras que avaliam mais da metade dos ativos sob gestão com critérios ESG avançou de forma contínua: era 27% em 2018, passou para 41% em 2021 e chegou a 47% em 2025.
Além disso, 40% das casas deixaram de investir em algum ativo por razões ESG nos últimos 12 meses, prática mais comum entre instituições engajadas e com patrimônio acima de R$ 500 milhões.
A análise ESG alcança a maioria das classes de ativos. O maior destaque está na renda variável, com 38%, e na renda fixa corporativa e crédito privado, com 37%.
Quando observado o percentual de ativos analisados dentro de cada classe, private equity e venture capital lideram: 70% das casas fazem gestão ESG de mais da metade do portfólio.
Nos ativos imobiliários, esse percentual é de 60%. Em renda fixa soberana, 50% das instituições ainda analisam menos de 20% dos papéis.
Fonte: Anbima
A gestão de riscos é o principal motivo para integrar ESG ao processo de investimentos, citada por 51% das gestoras, seis pontos acima de 2021. A decisão institucional aparece em segundo lugar, com 26%.
O método mais utilizado é o filtro negativo, adotado por 46%. Essa abordagem exclui investimentos considerados de alto risco social ou ambiental.
Em seguida aparecem a seleção por melhores práticas, ou best in class (41%), os filtros positivos (22%) e a integração ao valuation (21%), que ajusta o valor de uma empresa considerando impactos futuros de fatores ESG.
Fonte: Anbima
O percentual de gestoras com uma área dedicada exclusivamente ao ESG subiu de 6% para 13% entre 2021 e 2025. Ainda assim, 44% não possuem estrutura específica, enquanto mais da metade oferece treinamento sobre sustentabilidade às equipes.
Do total, 55% por cento das gestoras contam com políticas formais de investimento responsável. Entre essas, 71% abordam investimentos sustentáveis de forma geral, 67% tratam da materialidade dos temas ESG e 67% definem governança e responsabilidades.
O engajamento com empresas investidas ocorre em 53% das gestoras, sendo que 26% têm como objetivo explícito influenciar a gestão. A política de voto está presente em 76% das casas, mas apenas 32% incluem critérios ESG nas decisões.
Os Princípios para Investimento Responsável (PRI) seguem como o principal compromisso voluntário, adotado por 25% das gestoras. Outras iniciativas incluem o Investidores pelo Clima (10%) e o CDP (5%). A maioria, 66%, não aderiu a nenhum compromisso voluntário.
Apesar das diferenças entre segmentos, a pesquisa mostra que a sustentabilidade segue valorizada. Em 2025, a média geral de importância atribuída ao tema foi de 7,9, levemente abaixo dos 8,2 registrados na edição anterior.
As instituições que atribuíram nota máxima diminuíram 2 pontos percentuais. Ainda assim, 80% das casas deram notas acima de 7, indicando que o ESG permanece relevante, embora com uma abordagem mais ponderada.
Entre as instituições que atribuíram notas intermediárias, 7 e 8, equivalentes a 38% da amostra, o entendimento é de que a pauta está em fase de estruturação, com foco em iniciativas pontuais, como revisão de processos internos, mapeamento de riscos e intenção de evolução.
Já no grupo que marcou de 0 a 6, que representa 20%, predominam percepções de distanciamento, menor apoio da liderança ou visão de que o ESG é algo secundário. Mesmo assim, muitas reconhecem potencial de avanço mediante incentivos regulatórios, competitivos ou reputacionais.
Ao avaliar a percepção sobre os últimos 12 meses, o estudo aponta mudança no ritmo de crescimento da agenda. Em 2021, 52% das instituições afirmavam que a sustentabilidade havia ganhado muita importância. Em 2025, esse percentual caiu para 25%.
Por outro lado, aumentou o grupo que percebe um pouco mais de relevância, de 35% para 38%, e também aqueles que não notaram mudança, de 11% para 33%.
Segundo a pesquisa, o movimento pode indicar que o tema está mais incorporado ao cotidiano das instituições e que o foco agora está na manutenção e no aprimoramento das práticas.
Mesmo com a desaceleração recente, as expectativas seguem positivas. Duas em cada três instituições, ou 68%, acreditam que a sustentabilidade ganhará muito mais ou um pouco mais de relevância nos próximos 12 meses.
Para 28%, a importância deve permanecer estável, enquanto apenas 3% projetam redução.
A maioria do mercado também discorda que a sustentabilidade esteja relacionada apenas à realidade estrangeira (87%) ou que tenha recebido mais importância do que deveria (74%). Esses percentuais apresentaram pouca variação em relação a 2021.
A amostra da pesquisa é composta majoritariamente por gestoras de recursos, que representam 74% do total. Os bancos correspondem a 11%, enquanto outras instituições, como corretoras, distribuidoras, securitizadoras e administradoras, somam 15%.
Em termos de porte, 51% das casas possuem patrimônio líquido abaixo de R$ 500 milhões e 81% contam com equipes de até 100 pessoas.
Os respondentes ocupam principalmente cargos de diretoria (36%) e gerência (14%), além de CEOs e presidentes (8%). As áreas mais representadas são Compliance, Risco, Operações e Gestão.
O documento destaca o papel do Brasil como participante relevante no debate global sobre finanças sustentáveis, movimento impulsionado por eventos internacionais, como a COP 30.
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